09 de fevereiro de 2022

Durante entrevista à Rádio Brasil Campinas nesta quarta-feira (9), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o passado e o presente da terceira maior cidade do estado de São Paulo. Segundo ele, a situação de desemprego e falta de perspectivas na região está diretamente ligada à má gestão do governo atual, tanto na economia quanto no que se refere à pandemia de Covid-19.

“Quando eu conheci Campinas, era uma extraordinária, e eu sei do crescimento da pobreza na cidade, que quando eu conheci não tinha favelas”, afirmou. “Tudo isso combina com a economia não funcionando. A Região Metropolitana de Campinas perdeu 600 mil postos de trabalho. Quem arranja emprego está na economia informal, ganhando menos, sem direito a férias, sem descanso remunerado, sem direito à previdência social, isso é quase uma volta ao trabalho escravo”.

Para reconstruir a economia, não apenas da região, mas de todo o Brasil, Lula propõe que o Estado seja o “indutor” do crescimento. A ideia não é que tudo seja executado pelo Estado, mas que grandes obras de infraestrutura sejam pelo menos planejadas e sejam financiadas dessa forma inicialmente.

“Precisa colocar dinheiro, sobretudo em obras de infraestrutura, na área de saúde, nas estradas, ferrovias, tratamento de esgoto, essas coisas que o Estado tem que ser o indutor. Não é que ele tem que fazer tudo, mas tem que dar o ponta pé inicial porque se o estado acredita na sua política, a sociedade começa a acreditar”, afirmou o ex-presidente.

Como exemplo dos problemas da cidade, ele citou as obras do BRT, que até hoje não foram concluídas. “Foi uma obra pensada para a Copa do Mundo de 2014, que começou a ser projetada em 2011, mas as obras só começaram em 2016 por um atraso. Ou seja, estamos de 2011 a 2022 e não consegue colocar para funcionar, porque esse é o descaso do país. Nós temos que reconstruir o Brasil, inclusive do ponto de vista moral, do ponto de vista democrático”, finalizou.

Saúde e Educação

Em Campinas, os principais legados deixados pelo PT aconteceram nas áreas da Saúde e da Educação. Além da construção do Complexo Hospitalar Ouro Verde, o governo federal reformou 4 postos de saúde e entregou duas UPAs, além de contratar 98 médicos pelo programa Mais Médicos e 171 equipes de Saúde da Família.

Na área educacional, o número de matrículas no ensino superior em Campinas cresceu 60% entre 2003 e 2014: de 38,7 mil para 62 mil. Ao todo, 30,4 mil bolsas foram concedidas pelo Prouni e 25 mil alunos foram beneficiados pelo Fies. Além disso, foram criados dois campi do Instituto Federal de São Paulo, um em Campinas e um em Hortolândia.

Entre 2003 e 2016, foram criados 166,9 mil postos de trabalho formalizados na cidade. O Bolsa Família atendia 27 mil famílias da cidade em 2016. Já o Minha Casa Minha Vida teve 27,4 mil unidades contratadas até 2016. Por fim, o PAC financiou 50 projetos nas áreas de saneamento, educação, saúde, urbanização, habitação, energia e transporte, dos quais 11 tiveram obras concluídas e 23 foram iniciadas ou estão em execução.