Foto: Ricardo Stuckert

"Ainda que eu tenha apenas um minuto de vida daqui pra frente, esse minuto será dedicado a lutar pela dignidade do povo brasileiro. Se pensam que com pedras e tiros vão abalar minha disposição de lutar, estão errados. No dia em que minha garganta não puder mais gritar, eu gritarei pela garganta de vocês", declarou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite desta terça-feira (27), no Paraná, após saber dos disparos contra dois ônibus de sua caravana pelo sul do país. 

Após visitar a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em Laranjeiras do Sul (PR), construída sobre lotes da reforma agrária, o ex-presidente Lula participou de um ato no Assentamento 8 de Junho, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, e denunciou os tiros que atingiram os ônibus de sua caravana, em mais um grave episódio de intolerância e perseguição de grupos fascistas. "Se querem me derrotar, é simples: me enfrentem nas urnas e ganhem de mim. Eu vou aceitar como sempre fiz. Eles é que não aceitam, porque não sabem governar para o povo", reforçou. 

Para o ex-presidente, o ódio da elite é contra todos os avanços sociais que os governos do PT conquistaram no Brasil. "Eles não admitem que o povo pobre melhore de vida. Eles não suportam a melhoria de vida que os mais pobres tiveram. É demais pra cabeça deles ver o filho do agricultor daqui estudando agronomia. Eles querem tudo pra eles. Ficam com ódio. Pois que saibam: vou voltar, porque é preciso terminar a reforma agrária, demarcar as terras indígenas e quilombolas". 

Fascismo 

A caravana do ex-presidente Lula pelo Sul do país foi alvejada nesta terça-feira por ao menos três tiros enquanto percorria - sem escolta policial - o trecho entre as cidades de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná. Dois ônibus foram atingidos, ninguém foi ferido. O Paraná foi o único estado da federação de todos os percorridos pela caravana a não fornecer uma escolta policial para a comitiva dos ônibus.

Quedas do Iguaçu (PR)

Mais cedo, em seu primeiro compromisso do dia, o ex-presidente participou de um ato em defesa da agricultura familiar na cidade de Quedas do Iguaçu (PR), onde reforçou seu compromisso com a reforma agrária, defendeu isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos e recebeu o carinho do povo paranaense que, mesmo com chuva, não abandonou o local do evento.

"Estou querendo voltar porque não me conformo com a falta de respeito ao nosso povo. Chega do povo pobre pagar por atos de irresponsabilidade que não foi ele que cometeu. Quando eu virar presidente, quem ganhar menos de cinco salários mínimos não vai pagar imposto de renda", garantiu Lula. 

Universidade dos indígenas 

Ainda nesta terça-feira, Lula visitou o campus Laranjeiras do Sul da UFFS, conheceu o Laboratório de sistemas agroflorestais da instituição e afirmou que quer fazer uma universidade para os povos indígenas. "Eu ouvi uma proposta do reitor de fazer uma universidade indígena e achei uma ideia muito boa. Acho que chegou a hora", acredita o ex-presidente, que ressaltou também sua proposta de federalizar o ensino médio caso volte à Presidência da República. 

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