16 de outubro de 2018

“Estamos numa tsunami do absurdo, surreal. Ela é tão poderosa, violenta e descomunal em termos de tamanho e forma que não para. Não dá ouvidos a nada, não reflete sobre nada. Essa tsunami ameaça engolir o país. Ela ameaça afogar a cultura e a civilização brasileira”. É o que afirma o neurocientista Miguel Nicolelis, um dos vinte maiores cientistas do mundo na atualidade, em entrevista ao site Tutaméia.

Para ele, que vota em Fernando Haddad, a eventual vitória de Jair Bolsonaro e o caos interessam “a quem não quer o Brasil sendo um país protagonista”. O país, reforça, “participou [nos governos do PT] da criação de uma multipolaridade geopolítica que incomodou profundamente. Claramente, o Brasil tinha que ser removido como protagonista internacional”.

O padrão, afirma, é o mesmo seguido na Líbia, na Ucrânia, na Síria, no Egito, na chamada Primavera Árabe. “Olha o que sobrou da Líbia, da Síria, casos muito semelhantes ao nosso. Essas guerras assimétricas têm impressões digitais. Podem ser ações de grupos que estão lutando pela dominação financeira do mundo”.

O cientista fala com indignação da violência perpetrada pelos seguidores de Bolsonaro, de assassinato, de agressões, de pichações, do caso da garota de Porto Alegre que teve uma suástica inscrita à navalha no corpo.

“Tem gente desenhando a suástica nas paredes do Brasil sem saber o que ela representa para a história da humanidade. Deve ter gente indo na moda.  Porque nunca ouviu falar da Segunda Guerra Mundial, do Hitler. Tem um limite para o absurdo, mas nós estamos desafiando esse limite.  A sensação de várias pessoas é a de que as eleições no Brasil estão desafiando as leis do absurdo”, diz.

CIVILIZAÇÃO VERSUS BARBÁRIE

Apesar das pesquisas para o segundo turno, Nicolelis declara estar “esperançoso de que ainda haja pensamento crítico e racional no Brasil. No momento final, vamos escapar por um fio de cabelo da tragédia, do caos, da barbárie. Porque essa é uma decisão entre a civilização e a barbárie”. E segue:

“Minha esperança é que, no momento decisivo, haverá um número maior de brasileiros que quer manter o Brasil como nação soberana, democrática, civilizada, não misógina, não homofóbica, não racista. E chegue lá e vote, não pela opção do partido nem mesmo pela pessoa, mas que vote por uma opção de país que nos mantenha na comunidade internacional e no mundo civilizado. Porque a outra opção é um pulo no abismo sem saber onde ele termina”.

Fonte: Tutaméia