18 de outubro de 2018

O Ministério Público acredita que um esquema profissional de propagação de fake news pode estar sendo usado por equipes de campanhas no Brasil, com a disseminação das notícias falsas sendo divulgadas massivamente pelo whatsapp.

A informação é do vice-procurador-geral Humberto Jacques de Medeiros, que se reuniu nesta terça-feira (16/10) com representantes do WhatsApp. “É preocupante quando você tem um esquema industrial de produção de mentira com uma propagação artificialmente impulsionada, e isso é grave. É isso que está sendo investigado em alguns casos”, completou.

Fernando Haddad tem feito uma verdadeira cruzada contra as notícias falsas disseminadas por seu adversário. O TSE já determinou a retirada de dezenas notícias falsas da internet. A mais recente é em relação ao falacioso “kit gay”, uma mentira disseminada há anos pelo deputados que hoje concorre ao cargo mais importante do país.  Haddad chegou a propor um acordo a Jair Bolsonaro para colocar fim aos boatos, mas o candidato do PSL se negou. O petista também tem alertado para o fato de quem estaria por trás dessa verdadeira “usina de fake news”.  “Quem está pagando por tudo isso? Será que custa barato fazer essa campanha por WhatsApp?”, indagou.

O procurador Humberto Jacques de Medeiros afirmou que , “a lei eleitoral fala que contratar alguém para difundir na internet propaganda negativa é crime”. “Então como é um crime a gente tem que encontrar quem fez isso”, disse.

De acordo com o procurador, está havendo abusos e que é preciso melhorar as ferramentas da checagem de fatos no WhatsApp. “No sistema mexicano, você envia a mensagem recebida via WhatsApp a uma agência de checagem, que apura aquilo e devolve o desmentido para todo mundo que enviou aquela mensagem”, disse.

Na reunião, o WhatsApp prometeu avaliar sugestões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para combater as notícias falsas. Uma das ideias foi a de reduzir a quantidade de vezes que uma mesma mensagem pode ser compartilhada, das atuais 20 para cinco.

O procurador disse que é preciso que “as pessoas sejam zelosas quando passam adiante uma informação que elas receberam e não conhecem a qualidade daquilo”.

Em Santa Catarina, o Procurador Regional Eleitoral  Marcelo da Mota abriu um procedimento preparatório eleitoral – o equivalente a um inquérito civil público – para apurar a relação das reclamações em ata feitas por eleitores no dia da eleição com a disseminação de fake news sobre a segurança do processo eleitoral. Segundo a assessoria, a Procuradoria Regional Eleitoral de Santa Catarina foi a primeira do país a instaurar esse tipo de investigação.

Reportagem

O jornal El País  Brasil fez uma reportagem em setembro, revelando o esquema de propagação de fake news pela campanha de Jair Bolsonaro. Durante três semanas, a reportagem se inscreveu em três grupos de whatsapp, responsáveis cada um por divulgar mais de 1.000 mensagens ao dia. A justificativa é o de que é preciso usar a plataforma, de uso massivo em todas as faixas de renda no país e de difícil monitoramento, para combater a “grande mídia tendenciosa” e ajudar na disseminação das mensagens.

De acordo com a reportagem, há pelo menos cem grupos públicos específicos do aplicativo que apoiam o capitão reformado do Exército: 37 deles são monitorados pelo projeto Eleições Sem Fake, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  De acordo com o estudiosos da universidade mineira, Bolsonaro monopoliza os debates na maior parte dos grupos públicos.

No acompanhamento da reportagem ou no monitoramento dos pesquisadores da UFMG, aparecem resultados semelhantes que incluem a difusão de informações falsas.