06 de agosto de 2013

O Brasil deixou de ser um país que apenas recebia ajuda internacional e passou a ser um centro de referência em políticas sociais. “Agora nós mudamos a forma de trabalhar para melhorar a cooperação, porque é uma das determinações da presidenta Dilma, como era do presidente Lula, que a gente faça cooperação Sul-Sul e os países da África têm prioridade”, conta a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello. A ministra falou com o Instituto Lula durante o seminário “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025”, que foi realizado entre 30 de junho e 1º de julho, na Etiópia.

Tereza Campello falou sobre o interesse que os programas sociais brasileiros, como Bolsa Família e o Programa de Aquisição (PAA) de alimentos têm despertado em diferentes países africanos. A experiência de sucesso do Brasil, que além de reduzir a fome retirou da pobreza 40 milhões de pessoas é vista como um exemplo a ser seguido, segundo a ministra. Já existe até um programa piloto em andamento, chamado PAA África. Por fim, a ministra mostrou seu otimismo em ver a fome erradicada na África até 2025, “principalmente se os países africanos fizerem isso que eles tiraram nesse encontro em que nós estamos, que é priorizar a fome como política pública”.

Para saber mais sobre o seminário “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025″, clique aqui.

Leia abaixo a transcrição completa da entrevista

Bom, nós temos uma experiência importante no Brasil, conseguimos nesses 10 anos reduzir não só a fome, a insegurança alimentar, como tirar milhões e milhões de pessoas da pobreza. E muitos problemas que nós tínhamos no Brasil são parecidos aos encontrados na África. Então o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos, o esforço que nós fizemos de formalizar o emprego e aumentar o salário mínimo. Todos são experiências que os países da África podem aproveitar e têm aproveitado.

A cada semana nós recebíamos duas delegações [de países que queriam conhecer os programas sociais do Brasil] e, em geral, uma delas era da África. Agora nós mudamos a forma de trabalhar para melhorar a cooperação, porque é uma das determinações da presidenta Dilma, como era do presidente Lula, que a gente faça cooperação Sul-Sul e os países da África têm prioridade.

Então nós agora temos feito um trabalho de cooperação, os países querem saber muito sobre o Bolsa Família, sobre o Cadastro Único, como a gente implementou o Bolsa Família, como organizar o programa, inclusive na área de legislação. E outro programa que é muito procurado é o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Nós temos inclusive uma experiência piloto aqui na África, que chama a gente chama de PAA África, junto com a FAO para que a gente tente traduzir a experiência brasileira para a África que têm diferentes realidades na Agricultura Familiar.

Você acredita em uma África sem fome até 2025?
Acho que é possível sim, principalmente se os países africanos fizerem isso que eles tiraram nesse encontro em que nós estamos, que é priorizar a fome como política pública, priorizar o orçamento direto de seus governos para garantir o combate à fome, tirar orçamento para aumentar a produção agrícola. Então ter prioridade e ter isso no centro da política.

Se isso for feito, certamente nós vamos conquistar o fim da fome na África e, praticamente, no mundo.

O Instituto Lula publicou uma série de seis vídeos com entrevistas de personalidades que participaram do encontro. A série mostrará entrevistas sobre o combate à fome na África com:
1. Marcio Porto, chefe da Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa
2. Tereza Campello, Ministra do Desenvolvimento Social
3. João Bosco Monte, professor da Universidade de Fortaleza
4. Afonso Pedro Canga, Ministro de Agricultura de Angola
5. Tumusiime Rhoda Peace, representante da Comissão da União Africana (AUC) para Economia Rural e Agricultura
6. Mahaman Elhadji Ousmane, Ministro do Desenvolvimento e da Pecuária do Níger

Saiba mais sobre o encontro “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025? no hotsite que o Instituto Lula preparou sobre o seminário: africa.institutolula.org