20 de abril de 2018

“Um forte abraço, irmão Lula.
Tentamos visitá-lo, mas a juíza negou a autorização. Apesar dessa atitude discriminatória e violadora dos seus direitos, quero dizer que o mundo sabe e se mobiliza por sua liberdade. Um forte abraço, muita força e esperança. Conte com nossa solidariedade e apoio”

Adolfo Perez Esquivel, prêmio Nobel da Paz

A cidade de Curitiba foi cenário nesta quinta-feira (19) de mais um episódio arbitrário de quebra institucional ao assistir um prêmio Nobel da Paz, assegurado pelas Regras de Mandela, ser impedido de visitar um preso político. O pedido para encontrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confinado na Superintendência da Polícia Federal há 13 dias, partiu de Adolfo Perez Esquivel, que pretendia realizar uma visita humanitária a Lula.

O ex-presidente está desde o dia 7 de abril limitado a receber visitas apenas de seus advogados e da família, em uma espécie de isolamento que remete ao cárcere de uma solitária. “Isso é grave. Primeiro porque está se cortando a liberdade do direito de visitas. Nos preocupa também porque o Brasil está vivendo um estado de exceção e a prisão do presidente Lula afeta a nós todos”, afirmou Esquivel. “Peço à juíza que reconsidere. A Justiça deve buscar a verdade, o direito, o respeito das pessoas e do povo. Isso é fundamental”, ressaltou. 

A visita de Esquivel a Lula estava amparada pelas Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros, conhecidas como Regras de Mandela. “Os prisioneiros devem ter permissão, sob a supervisão necessária, de comunicarem‑se periodicamente com seus familiares e amigos: por correspondência e utilizando, onde houver, de telecomunicações, meios digitais, eletrônicos e outros; e por meio de visitas”, diz o artigo 58 do texto.

“O Brasil vive um estado de exceção. Primeiro um golpe de estado contra Dilma Rousseff e agora toda esta campanha contra o presidente Lula. Há que se pensar que tipo de democracia temos. Não só no Brasil, mas em toda a América Latina. Vamos seguir desenvolvendo uma campanha internacional até que Lula recupere sua liberdade”, declarou o prêmio Nobel da Paz. “Lamento muito que não se respeitem o direito das pessoas. Para mim Lula é um preso político”.

Após ser impedido de visitar o ex-presidente, Esquivel seguiu para o acampamento Lula Livre, onde leu uma carta endereçada ao ex-presidente. O argentino é responsável por uma campanha em defesa do Prêmio Nobel da Paz para Lula, por seu legado no combate à miséria no Brasil.   

“Poder ao povo”

O teólogo e expoente da Teologia da Libertação, Leonardo Boff, também teve seu pedido de visita a Lula negado nesta quinta-feira. “Estão ferindo uma prerrogativa constitucional”, afirmou. Amigo de Lula há mais de 30 anos, Boff ressaltou que a campanha contra o ex-presidente tem como objetivo interditá-lo e impedi-lo de retornar ao Palácio do Planalto. “Mas a vontade do povo é a vontade soberana. O povo brasileiro é o dono do poder. E Lula sabe disso”, pontuou.