05 de junho de 2017

O ex-gerente de finanças da Odebrecht João Alberto Lovera, que assinou na semana passada sua adesão a um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, afirmou nesta segunda-feira (5), em audiência realizada na 12ª Vara Federal de Curitiba, que um terreno que foi adquirido pela Odebrecht Realizações Imobiliárias nua Dr. Haberbeck Brandão, nº 178, em São Paulo, havia sido comprado pela empresa para construir um imóvel no local e, depois, alugar ou vender ao Instituto Lula. “Tudo seria feito com a transparência natural que envolve um negócio entre duas entidades privadas. Não havia qualquer irregularidade”, afirmou o executivo.

Suas explicações têm razão de ser na medida em que a audiência desta segunda é parte de uma ação penal movida pelos procuradores da Operação Lava Jato contra Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o instituto que leva o nome do ex-presidente seria “presenteado” com um terreno pela Odebrecht, em troca de um suposto favorecimento que Lula teria dado à construtora em sete contratados firmados entre a empresa e a Petrobras, na época em que Lula era presidente (2003-2010).

A fala do executivo que assinou acordo com o MPF, no entanto, deita por terra a teoria. Lovera informou também que visitou o terreno em questão na companhia de Luiz Inácio Lula da Silva, dona Marisa e Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula. Todos chegaram no local em carros particulares, desceram dos veículos sem qualquer discrição específica e por lá ficaram por cerca de 40 minutos. “Foi uma visita feita às claras, e a verdade é que não gostaram do terreno, então não se fechou negócio”, resumiu o ex-executivo da Odebrech.

Também nesta segunda-feira, quem também depôs no mesmo processo foi Emílio Odebrecht, ex-presidente do grupo e atual presidente do conselho de administração do conglomerado. Emílio afirmou que nunca conversou sobre nenhum tipo de propina com Lula.

Sobre o terreno que a Odebrecht adquiriu e pretendia negociar com o Instituto Lula, Emílio explicou que foi ideia dele sugerida a Lula e Okamotto que investissem em uma nova sede para a entidade que o ex-presidente iria dirigir após sair do cargo presidencial. “Em 2009, assim como sugeri a outros presidentes, e assim como doamos a outros presidentes, eu disse a ele (Lula) que se quisesse manter seu trabalho após deixar o cargo, apresentando, por exemplo, a países da América Latina e África o que fez o Brasil para combater a fome, então ele precisava investir em seu instituto. E que estávamos dispostos a colaborar, como sempre fizemos no país”, disse Emílio.    

Por fim, também falou a Sérgio Moro nesta segunda-feira o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar. O executivo já confessou a membros do Ministério Público que praticou atos ilícitos enquanto estava no cargo. A fim de minorar as consequências jurídicas para si mesmo desses atos, ele assinou um acordo de delação premiada com a Justiça.

Segundo ele, em períodos eleitorais, candidatos de todo o país e partidos o procuravam pedindo doações, seja via oficial e via caixa dois. A Odebrecht aceitava e fazia as duas. Com Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, ele jamais negociou qualquer doação para qualquer eleição em troca de vantagens ilícitas.