21 de julho de 2021

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor”. Ao som da Oração de São Francisco, os fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Fortaleza, retiraram do recinto um homem que interrompera a missa gritando palavras de ódio contra o padre, acusando-o de transformar a igreja em um “reduto da esquerda”, no último dia 12. Essa foi mais uma das agressões de que são vítimas os padre Lino Allegri e Oliveira Braga Rodrigues, consequência direta da política de ódio e mentiras de Jair Bolsonaro e seus seguidores. As ameaças e agressões são tão constantes que os padres tiveram de ser incluídos em programa de proteção de testemunhas.

Os religiosos são constantemente ameaçados por mensagens nas redes sociais da paróquia e em seus Whatsapp pessoais. Padre Lino, da Pastoral do Povo da Rua, já havia sido agredido verbalmente por oito pessoas em outra missa no começo do mês. O motivo: ler nota da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil que lamenta a morte de 500 mil pessoas pela pandemia de Covid-19, agravada pelas denúncias de corrupção e prevaricação. Em que realidade de ódio e destruição vive o Brasil, onde párocos são agredidos por lamentarem a morte de meio milhão de pessoas?

Diante desse cenário, os padres foram incluídos no Programa Estadual de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos do Ceará. A iniciativa para a inclusão veio do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, da Defensoria Pública do Ceará e do Ministério Público do Estado (MPCE).

Para que os padres pudessem celebrar a missa no último domingo (18), a Secretaria da Segurança do Ceará precisou montar um esquema de policiamento ao redor da igreja, no bairro de Aldeota, em Fortaleza. A metralhadora de ódio de Bolsonaro e de seus seguidores não tem limites. E Bolsonaro ainda tem coragem de se dizer cristão.

Leia a íntegra da nota da CNBB.

Nota da CNBB diante do atual momento brasileiro

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB levanta sua voz neste momento, mais uma vez, para defender vidas ameaçadas, direitos desrespeitados e para apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade. A sociedade democrática brasileira está atravessando um dos períodos mais desafiadores da sua história. A gravidade deste momento exige de todos coragem, sensatez e pronta correção de rumos.

A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da COVID-19. “Ao abdicarem da ética e da busca do bem comum, muitos agentes públicos e privados tornaram-se protagonistas de um cenário desolador, no qual a corrupção ganha destaque.” Apoiamos e conclamamos às instituições da República para que, sob o olhar da sociedade civil, sem se esquivar, efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja, em vista de imediata correção política e social dos descompassos.

Brasília, 9 de julho de 2021

D. Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, MG, Presidente

D. Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre, RS, 1º Vice-Presidente

D. Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima, RR, 2º Vice-Presidente

D. Joel Portella Amado, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ, Secretário-Geral