19 de outubro de 2021

Desde o último domingo (17), bolsonaristas e o próprio presidente divulgam fake news afirmando que o MST teria sido responsável pela depredação de casas populares em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco. A informação é completamente mentirosa, o que foi comprovado por diversas agências de checagem. A própria Polícia Federal desmentiu a informação.

Os principais vídeos que circulam pelo Whatsapp e pelo Tiktok afirmam inclusive que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria supostamente acionado militância do MST para destruir obras de Bolsonaro, informação completamente falsa.

Um dos vídeos mentirosos foi compartilhado inclusive por Bolsonaro em sua conta no Twitter, além de aparecer na conta de outros políticos contumazes disseminadores de fake news, como Bia Kicis (PSL/DF). Vale lembrar que Bolsonaro, o presidente que conta ao menos 4 mentiras por dia segundo estudos nacionais e internacionais, só usou seu twitter para falar sobre a fome uma única vez (comentando uma partida de futebol).

A Polícia Federal desmentiu o vídeo postado por Bolsonaro, afirmando que não foi identificada a participação de movimentos sociais na depredação do conjunto habitacional. A prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe e o MST também desmentem a fake news. Confira a íntegra da nota da PF:

“A Polícia Federal informa que existe inquérito em andamento em Caruaru sobre as ocupações que ocorreram em Santa Cruz do Capibaribe, mas até o momento não foi identificada a participação de partidos políticos e/ou movimentos sociais em qualquer ocorrência sobre esse caso. As invasões foram feitas no dia 29 de agosto e nesse caso como em tantos outros são feitas de forma repentina. E quando isso aconteceu a PF e outros órgãos de segurança só podem agir depois de ordem da justiça de reintegração de posse”.

O MST NÃO depredou nem mesmo ocupou as casas do do Residencial Cruzeiro, um complexo formado por 500 imóveis que começou a ser construído em 2017 com financiamento da Caixa Econômica Federal pelo Minha Casa Minha Vida. A obra deveria ter sido entregue em 2019, mas atrasou e a previsão é que fique pronto em dezembro de 2021. O MST nem sequer tem acampamentos em Santa Cruz do Capibaribe.

A verdade é que os feitos do MST em Pernambuco são o combate à fome e o fortalecimento da agricultura familiar. Apenas em agosto de 2021,o MST de Pernambuco doou mais de 15 toneladas de alimentos para o combate a fome, a partir do projeto Periferia Viva Mãos Solidárias, de Recife. A maior parte dos alimentos veio do assentamento Che Guevara, na cidade de Moreno (PE).

Compartilhe a verdade

Confira a checagem de fatos da agência Lupa:

Integrantes do MST não destruíram casas em Santa Cruz do Capibaribe. Na verdade, em agosto deste ano alguns imóveis em construção pelo programa Minha Casa Minha Vida foram ocupados por pessoas que teriam sido tiradas da lista de beneficiários do incentivo habitacional. A Polícia Civil da cidade confirmou, por telefone, que não foi registrado nenhum envolvimento de integrantes do MST. Em nota, a assessoria de imprensa da organização informou que não tem nenhuma área ocupada nesse município pernambucano. “A direção do movimento nega qualquer envolvimento sobre o ocorrido, se trata de uma ‘fake news’ entre muitas outras que são criadas para criminalizar o MST”, diz o texto.

As casas fazem parte do Residencial Cruzeiro, um complexo formado por 500 imóveis que começou a ser construído em 2017 com financiamento da Caixa Econômica Federal pelo Minha Casa Minha Vida — esse programa, criado em 2009, foi substituído pelo Casa Verde e Amarela em 2021. A obra deveria ter sido entregue em 2019, mas atrasou e a previsão é que fique pronto em dezembro de 2021. 

O site local Merece Destaque noticiou essa ocupação no dia 29 de agosto. Na ocasião, pessoas que estavam na lista de contemplados para financiar o imóvel por meio do programa federal justificaram a invasão porque seus nomes tinham sido removidos da seleção de beneficiários. Em setembro, o canal Slam & Balaiô Caruaru entrevistou pessoas envolvidas na ocupação. Num dos relatos, uma moradora da cidade explicou que a ação foi organizada em poucas horas. Ela também contou que se inscreveu três vezes no programa, que a obra estava atrasada há dois anos e que algumas casas já estavam se deteriorando. Não há qualquer menção de envolvimento com o MST. 

Na época, a Caixa Econômica Federal se pronunciou a respeito das invasões e informou que a construção das 500 casas seria concluída até o final do ano. Também afirmou ter acionado autoridades competentes para que fossem adotadas medidas legais em relação às ocupações irregulares do residencial.

Por uma decisão da Justiça Federal de 23 de setembro, a Polícia Federal (PF) foi acionada para fazer a reintegração de posse em favor da Caixa Econômica Federal contra os ocupantes. De acordo o delegado da PF Guilherme Figueiredo Silva, chefe em exercício da delegacia de Caruaru (comarca responsável pelas ocorrências de Santa Cruz do Capibaribe), as casas foram invadidas por moradores da região. “Até o momento, não tem qualquer informação de que os participantes da ocupação sejam integrantes do MST ou do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)”, afirmou, por telefone. 

Uma semana antes da ocupação, a Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe divulgou uma nota oficial informando que havia discutido o prazo de entrega das casas com a Caixa. A prefeitura também informou que estava atualizando cadastros das pessoas contempladas e que havia reforçado a segurança do residencial para evitar invasões e depredações.