01 de fevereiro de 2022

Em 2010, último ano de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a média do preço da gasolina foi de R$2,50 e durante todo o ano, o aumento foi de apenas 2,04%. Em 2022, a situação é muito diferente: a política de preço dos combustíveis do governo Bolsonaro segue prejudicando a vida das famílias brasileiras e a economia nacional. Em 2021, a gasolina subiu 46%, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), elevando o preço médio do litro do combustível de R$ 4,51, em janeiro de 2021, para R$ 6,61, no começo deste ano.

Mas por que então o litro de gasolina do Bolsonaro já bateu os R$ 7 e o do Lula, em 2010, custava R$ 2?

O vínculo do preço ao dólar e o desmonte da Petrobras são os vilões do povo

No governo Bolsonaro, a Petrobras adota a política de preço de paridade internacional (PPI), que alinha a dinâmica dos preços do combustível no Brasil ao mercado internacional. A dolarização gerou uma escalada de preços que, aliada à desvalorização do real perante o dólar, impacta de maneira hostil o bolso do trabalhador. Bolsonaro mantém essa política que privilegia acionistas estrangeiros em detrimento aos interesses da população.

Nos governos Lula e Dilma, a estatal adotava uma política de preços que não repassava a totalidade das variações de curto prazo dos preços internacionais de petróleo para os preços domésticos de derivados.

No último sábado (29), em discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lulavoltou a criticar a vinculação dos reajustes dos combustíveis à variação dos preços internacionais. ¨Nossa gasolina não tem que seguir preço internacional, o óleo diesel não tem que seguir preço internacional, o gás não tem que seguir preço internacional. Isso se chama safadeza e irresponsabilidade com o povo brasileiro. Em vez de você engordar o acionista dos Estados Unidos, é importante você fazer refinarias para abaixar o custo do petróleo nesse país¨, disse, lembrando que os governos petistas iniciaram construção de refinarias em diferentes Estados.

Além disso, ao contrário de Bolsonaro, que ameaça privatizá-la, o governo Lula valorizava a Petrobras. A estatal se tornou uma das maiores empresas em valor nas bolsas. Se valia da condição de quase única grande produtora de petróleo, grande refinadora e grande importadora e distribuidora de derivados no país.

E foi no governo Lula em que a Petrobras atingiu seu maior vigor. Cresceu mais de sete vezes, acumulou lucros recordes de produção, chegou a ser a quarta maior empresa do mundo. O lucro da Petrobras saltou de 74,1 bilhões entre 1995 e 2002 para R$ 245,9 bilhões, um aumento de 231%. Atualmente, a Petrobras tem 30% do seu refino ocioso, enquanto 400 empresas importam gasolina dos Estados Unidos, com preço internacional. “Nós não precisamos disso. Gasolina aqui tem que ter o custo Brasil, não o custo Estados Unidos. Não é para ser dolarizada”, afirmou Lula.

Jair se mostra incapaz de gerir um dos principais patrimônios públicos, que é a Petrobras, e por isso ameaça vendê-la. Nas palavras da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o presidente busca “fugir da responsabilidade e entregar de mão beijada nossa maior estatal”.

ICMS

Enquanto sobrepõe os interesses do mercado aos da nação, o presidente Bolsonaro continua a inventar desculpas para se isentar da responsabilidade por essa política abusiva de preços. Jair mente que zerou os impostos federais sobre combustíveis e insiste em atribuir a alta dos preços ao ICMS dos estados, mesmo a média do imposto sendo praticamente fixa.

Em 2016, o ICMS da gasolina era 27,6% e o valor do litro da gasolina na bomba era R$ 3,60. Em 2021, com a mesma alíquota, o litro do combustível bateu os R$ 7.

No último ano, apesar das alíquotas do imposto estadual não terem sofrido aumento, o valor do combustível subiu, pois é calculado sobre a estimativa do preço médio na bomba. Bolsonaro esconde que a razão desse descompasso é a política de dolarização adotada pela Petrobras, sob influência direta das decisões do governo.