30 de junho de 2017

Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, depôs hoje como testemunha para o juiz de primeira instância Sérgio Moro, em ação que apura um terreno que seria, mas jamais foi, uma possível sede para o Instituto Lula. Okamotto explicou que visitou o terreno, localizado na Rua Haberbeck, uma única vez, em meados de 2011, porque ele tinha sido oferecido para avaliação e que ele foi recusado como sede do Instituto pelo ex-presidente e pela diretoria do Instituto Lula.

O Instituto acabou alugando um imóvel próximo ao Instituto Lula para abrigar sua equipe de apoio. Houve uma única visita, de cerca de 30 minutos, de avaliação desse imóvel, que nunca foi, nem antes nem depois, do Instituto Lula. Ele também informou que outros imóveis naquela época foram analisados pela diretoria do Instituto.

Paulo Okamotto também esclareceu que Lula não é dono do Instituto Lula, que não é uma empresa ou propriedade privada, mas uma associação sem fins lucrativos. Ou seja, nada que seria do Instituto Lula seria patrimônio do ex-presidente. E que jamais conversou com Antonio Palocci ou Branislav Kontic sobre isso “não vi sentido nenhum em conversar com eles sobre isso, não tinha nexo nenhum deles com esse terreno.”

A ação penal analisa se esse terreno seria propina para o ex-presidente Lula em troca de 3 contratos da Petrobrás. Mesmo a acusação reconhece que o terreno jamais pertenceu ao Instituto.  Ou seja, a simples avaliação pelo Instituto da possibilidade de aquisição ou aluguel de um terreno, entre outros, virou uma ação penal contra Lula na Lava Jato.

Também depuseram hoje os diretores do Instituto Lula Paulo Vannuchi, Luiz Soares Dulci e Clara Ant, que também participaram das várias visitas em busca de um imóvel para sede do Instituto Lula. Paulo Vannuchi, que não esteve nessa visita, explicou a diferença entre o terreno cedido pela Prefeitura de São Paulo para a construção de um museu chamado Memorial da Democracia e a busca para alugar um espaço para uma sede do Instituto Lula. 

Anos depois, a mera procura por uma sede virou uma curiosa ação penal sobre um imóvel que jamais foi do Instituto Lula, muito menos de Lula.