08 de dezembro de 2021
Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil precisa de um Estado que seja capaz de ser um indutor da economia, gerando empregos e garantindo direitos. Este foi o recado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos participantes do 9º Congresso da Força Sindical. Lula participou da plenária de encerramento do encontro, que reuniu também os dirigentes das demais centrais sindicais do país.

“Nós queremos um Estado que seja capaz de cuidar do seu povo, ser soberano, cuidar das suas florestas, das suas águas, das suas riquezas minerais. Um Estado que seja capaz de cuidar da educação do seu povo”, disse Lula durante seu discurso. Ele advertiu que há uma campanha permanente em favor de um Estado mínimo, mas que isso significa deixar de prestar serviços e atender o povo mais necessitado.

Lembrando que a miséria aumentou e que há um grande número de pessoas sem-teto no país, o ex-presidente chamou a atenção para a ausência de políticas de proteção social.

“Esses dias eu vi um velhinho de 91 anos dizendo ‘eu não sei o que eu fiz para merecer dormir na rua aos 90 anos’. Que crime cometeu este homem que, aos 90 anos, o Estado que deveria dar proteção para ele, não se importa que esse cidadão está dormindo na rua?”, questionou Lula.

Para o ex-presidente, a tarefa principal para a recuperação do país é gerar empregos. “A pergunta que a gente precisa responder é como é que nós vamos gerar emprego nesse país. Todo mundo aqui sabe que a coisa que um chefe de família tem mais orgulho é levantar todo dia para ir trabalhar e, no fim do mês, receber seu dinheirinho, pagar o aluguel, fazer compra, e sobra um pouco para levar a família para um almoço fora de casa”, afirmou.

Contra a precarização do trabalho

Lula tem repetido que está preocupado com a precarização das condições de trabalho provocadas pela digitalização dos serviços, que criam postos de trabalho em que não há nenhum tipo de proteção social e trabalhista. “Basta o trabalhador [de aplicativo] cair da bicicleta para ele perceber que está abandonado”, comentou.

Durante a participação no Congresso da Força Sindical, ele reforçou esta preocupação e mostrou-se indignado com a nova proposta de Reforma Trabalhista que vem sendo anunciada pelo governo Bolsonaro.

“Eles disseram que querem mudar outra vez a legislação trabalhista: trabalhador de aplicativo não pode ser registrado, não tem que ter direito. E mais ainda, o trabalhador só vai poder descansar um domingo a cada dois meses”, comentou. “Eu vi, mas não acreditei que isso está num projeto trabalhista que eles querem aprovar no Congresso Nacional”, completou o ex-presidente, convocando as centrais sindicais a se manifestarem sobre essa nova investida contra os direitos dos trabalhadores.

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