07 de outubro de 2021

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou nesta quinta-feira todo o seu apoio à luta dos servidores públicos. Em encontro com representantes da categoria, Lula criticou a Proposta de Emenda Constitucional da Reforma Administrativa, a PEC 32, lembrando a importância dos servidores públicos na garantia de direitos e o papel fundamental que eles terão para reconstruir o país num futuro próximo.

“Como é que a gente vai reconstruir este país se não tivermos o Estado brasileiro preparado com servidor público qualificado, decentemente remunerado para cuidar do atendimento da sociedade brasileira?”, questionou Lula, durante o encontro com sindicalistas, em Brasília. “A gente vai recolocar este país no lugar de onde ele não podia nunca ter saído. E pra isso, este país precisa de serviço público de qualidade.”

A PEC, cujo texto já foi aprovado por uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados e aguarda votação no plenário, modifica as regras de gestão das carreiras e de contratação de trabalhadores pelo setor público. Abre a possibilidade, por exemplo, dos chefes do Executivo extinguirem carreiras, fechar postos de trabalho e entregar empresas e equipamentos públicos à gestão privada. 

Representantes de várias categorias participaram do debate — professores, portuários, bancários, petroleiros, eletricitários, trabalhadores da saúde, funcionários de estatais — e apontaram os riscos da Reforma Administrativa desmontar estruturas que atendem a população em seus direitos mais básicos.

O ex-presidente também ressaltou os efeitos negativos da reforma, como o fim da estabilidade do servidor público. “O cara é eleito e pode demitir todo mundo e contratar quem ele quiser. Aquele funcionário contratado não será funcionário do Estado, mas de quem contratou ele”, resumiu Lula. A preocupação é que isso afeta diretamente a qualidade dos serviços prestados ao povo. “Esses funcionários não vão estar preocupados em atender a população, mas em atender quem está no governo.”

Lula também falou do papel estratégico das estruturas públicas e das estatais. “Por que vender os Correios? A Eletrobrás? Destruir a Petrobrás? Na crise de 2008, quem salvou este país foram os bancos públicos com dinheiro do BNDES”, lembrou. “Ter serviço público é pra gente ter soberania nacional.”