07 de março de 2022

Na última quinta-feira (03), bolsonaristas deram início a uma ação coordenada de fake news para abafar uma notícia desagradável para o líder deles. Em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro festejou o acordo da Petrobras com o grupo russo Acron para a venda da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), em Três Lagoas (MS), mais um passo do desmonte da Petrobras que deixa o Brasil cada vez mais dependente de fertilizantes estrangeiros, especialmente russos.

Como os torcedores do atual desgoverno responderam? Produzindo e divulgando uma notícia falsa segundo a qual o ex-presidente Lula havia vendido a exploração de jazida de potássio brasileira a uma empresa canadense para depois ter que comprar fertilizantes do Canadá. A velha tática de requentar fake news bolsonarista foi novamente colocada em prática.

A mentira não para em pé e não é nova. Em 2019, o conteúdo falso já foi desmentido por agências de checagem. Além de não existir qualquer documento referente a venda, segundo o artigo 20 da Constituição Brasileira, os recursos minerais do país, inclusive os do subsolo, pertencem à União. Ou seja, as riquezas do subsolo sequer podem ser vendidas.

Boato semelhante já foi utilizado para estabelecer uma falsa venda de riquezas minerais do Brasil para a Noruega. A mentira é velha e já circula, pelo menos, desde 2019.

Robôs bolsonaristas espalham mentira

O conteúdo enganoso se espalhou pelas redes sociais a partir de robôs das milícias digitais. É possível identificar um padrão nas mensagens disseminadas no twitter. A maioria tem um texto parecido e partem de publicadores sem outras postagens.

No vídeo abaixo, a partir do método de análise Botometer, é possível verificar perfis no twitter que exibem semelhanças com as características de bots sociais (bots que possuem características de usuários humanos mas que apresentam modelos robóticos como respostas e postagens aparentemente automáticas).

Os perfis em vermelho e laranja são os prováveis robôs, sendo os vermelhos os mais críticos. Os amarelos têm possibilidade média de serem robôs. Os verdes e azuis têm comportamento semelhante ao usuário humano, sendo o azul com menor possibilidade de automação.

A operação se reproduziu a partir do perfil de bolsonarista que faz campanha ostensiva para o ex-capitão nas redes sociais.

A verdade

O fato é que, como mostraram as postagens de Lula no Twitter, foram os governos de Michel Temer e Bolsonaro que erraram, não o Brasil, fechando fábricas de fertilizantes na Bahia, em Sergipe e no Paraná. Foi a partir do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff que a indústria nacional dos fertilizantes começou a ser desmontada.

A Petrobrás fechou três fábricas de insumos desde 2016, na esteira da Lava Jato, e aumentou dependência brasileira de importações. O projeto de destruição das empresas estatais pode custar caro para o Brasil, o que agora pode refletir numa alta dos fertilizantes por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Também abandonaram a construção de novas fábricas de fertilizantes em Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul. O governo atual aprofunda a dependência de derivados de petróleo importados, como fertilizantes e combustíveis, ao mesmo tempo que destrói empregos desmonta o setor no Brasil.

Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) tabulados pela consultoria StoneX indicavam que, ainda em 2020, cerca de 84% dos fertilizantes usados por agricultores brasileiros já eram importados. Esse percentual de importação é o maior já registrado em mais de 20 anos – e deve aumentar.

Fechamentos e dependência

A Petrobras resolveu deixar o mercado de fertilizantes em 2016, após Temer chegar à Presidência. Em março de 2018 foram fechadas as fábricas de fertilizantes nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada no polo petroquímico de Camaçari, inaugurada em 1971, e de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, ativada em 1982.

Em novembro de 2019, a Petrobras arrendou as duas plantas para a Proquigel Química SA. A empresa, entretanto, só conseguiu reativar a produção delas em 2021.

Em 2020, já durante o governo Bolsonaro, a Petrobras também fechou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenadas do Paraná (Fafen-PR), em Araucária (PR). A desativação da fábrica, que havia sido comprada em 2013, causou a demissão de cerca de mil trabalhadores.

Em fevereiro deste ano, a Petrobras vendeu a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas (MS) para o grupo empresarial russo Acron. A planta estava em fase de construção. O anúncio da venda foi feito pela própria ministra da Agricultura Tereza Cristina.