27 de maio de 2022
Foto: Arquivo pessoal

Aos 64 anos, a aposentada Jacira Eloá fica assustada a cada vez que vai ao supermercado ou à feira. O dinheiro não dá para comprar as mesmas coisas de dez anos atrás. Em vez de carne e frango com frequência, a proteína principal é ovo. “Compro aquele de 30 ovos por R$ 18”, contou, constatando o que todos os demais trabalhadores, na ativa ou não, já sabem: o Brasil piorou, e muito, nos últimos anos.

“O custo de vida ficou cada vez pior, principalmente para nós da periferia. Antes, a gente conseguia se alimentar melhor, até vestir um pouco melhor. Hoje em dia, a gente não consegue nem uma coisa nem outra. Você vai na xepa e traz só uma sacolinha que não dá nem para a semana”, diz a moradora de Diadema, que veio a São Paulo participar hoje, 27, do ato Movimentos populares com Lula.

Jacira teve a maior parte da vida profissional como telefonista concursada da prefeitura de Diadema. Na ativa, o salário dela era em torno de 3,5 mínimos. A aposentadoria hoje não chega a dois salários. Ela relata as dificuldades pessoais, conta por exemplo que, para cozinhar o almoço desta sexta, precisou pegar um pouco de óleo emprestado com a vizinhança solidária, mas se preocupa mais com quem tem menos ou não tem nada. “Se para a gente já é difícil, imagina para quem não tem nada”.

A esperança dela é que o Brasil mude e que os jovens, como a filha de 24 anos que estuda comunicação com bolsa de estudo parcial, tenham oportunidades para inserção no mercado de trabalho.

Paloma Ferraz, de 20 anos, do Movimento de Mulheres, não viveu os governos Lula, mas disse saber, pelo relato dos pais, que a vida naqueles tempos era mais fácil. “Por mais que a gente passasse dificuldades, era mais fácil comprar roupa e comida. O acesso à educação também era mais fácil.