13 de outubro de 2018
Foto: Joka Madruga

Do UOL

O candidato à presidência da República Fernando Haddad (PT) disse haver suspeita de que há dinheiro ilegal na campanha de ataque que está sofrendo nas últimas semanas com a disseminação de informações falsas a seu respeito e sobre seus aliados via WhatsApp e redes sociais. “Isso precisa ser investigado. Quem é que está fazendo a contratação desse esquema? Quem está botando dinheiro nisso? Tem um custo, e não é baixo, e isso não está na prestação de contas dele [do seu adversário no segundo turno, o candidato Jair Bolsonaro, do PSL]. Como se explica?”, afirmou Haddad ao UOL.

“Com essa campanha de disseminação de informações falsas, seja qual for o resultado da eleição, o Brasil, de qualquer maneira, perdeu. O Brasil vai sair desta eleição menor do que entrou”, disse Haddad.

Sobre notícia publicada mais cedo com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em caráter liminar, de negar a retirada de fake news sobre ele e sua campanha que circulam em grupo privado do WhatsApp (o grupo “aRede – Eleições 2018”), Haddad disse que faltou lembrar das dezenas de vitórias de sua campanha na Justiça sobre informações fraudulentas. “Ao longo da campanha, ganhamos na Justiça a retirada do ar de mais de 60 informações falsas que estavam circulando”. Eugênio Aragão, advogado da campanha de Haddad, classifica o grupo como uma “usina de fake news” (leia mais abaixo).

O TSE está sendo lento”

O candidato petista criticou a lentidão do TSE nas ações contra a avalanche de informações falsas. “O TSE está sendo lento. A gente consegue tirar um vídeo falso do ar depois que ele já está com 3 milhões de visualizações, quando já deve ter sido distribuído para uns 10 milhões. De onde vem o dinheiro que forçou essa distribuição?”.

Haddad vê semelhanças entre os ataques contra sua campanha ao que ocorreu na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. “A campanha de Trump criou vários fantasmas e mentiras e os espalhou entre os eleitores. Estamos vendo a  mesma coisa aqui. Estão espalhando que criança de 5 anos vai virar propriedade do governo, que o meu relógio custa 100 mil euros…”, disse. Ele associou a comparação do modelo de disseminação de fake news a uma suposta ligação da campanha de Bolsonaro com o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon, ligado a movimentos supremacistas. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair Bolsonaro, esteve com Bannon em agosto.

“Estamos vendo uma campanha que se explica por si só. Minha campanha jamais usaria o artifício de inventar e espalhar mentiras. Estamos sofrendo ataques diários desse tipo. Estou tendo que lutar pela integridade moral  contra uma prática como essa”, afirmou o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação.

Advogado da campanha vê “usina de fake news” no WhatsApp

O advogado da coligação de Haddad, o jurista Eugênio Aragão (ex-membro do Ministério Público Federal e ex-ministro da Justiça), afirmou que a campanha recorreria da decisão do TSE sobre a remoção de conteúdos falsos do grupo “aRede – Eleições 2018” no WhatsApp. Sobre a decisão da Justiça Eleitoral, ele disse: “O relator Salomão [ministro do TSE Luis Felipe Salomão] se atravessou completamente com o argumento de que estava garantindo a livre manifestação das pessoas. No momento em que há uma produção e divulgação desses conteúdos de forma maciça, deixa de ser uma conversa particular e passamos a ver uma ‘usina de fake news'”.

“Vamos insistir [no recurso] porque, se for essa a decisão, temos uma situação de espaço franco para divulgar mentiras sem nenhum controle”, afirmou. Aragão disse ser difícil quantificar o total aproximado de informações falsas contra a campanha de Haddad, mas declarou que “a produção ocorre de forma maciça. A Justiça tira um do ar, aparecem tantos outros, em quantidade enorme”, disse.