19 de agosto de 2021
Ricardo Stuckert

Em março de 2009, autoridades mexicanas identificaram um surto causado pelo H1N1, a doença foi designada como gripe suína e começou a se espalhar pelo mundo. Em junho, a Organização Mundial da Saúde decretou estado de pandemia. A doença chegou por aqui em maio de 2009. O enfrentamento de Lula àquela pandemia, um caso de sucesso para o mundo, em nada lembra o tratamento genocida dado à pandemia da Covid-19 por Bolsonaro.

As primeiras vacinas começaram a ser desenvolvidas no segundo semestre de 2009. O governo Lula investiu 2,1 bilhões de reais na aquisição de imunizantes, insumos, material de diagnóstico, equipamento de hospitalização e ampliação dos leitos de UTI, além de determinação da ampliação de turnos das unidades de saúde.

O governo fechou parceria com 3 laboratórios e adquiriu 83 milhões de doses da vacina contra H1N1. A Fiocruz triplicou a produção do medicamento utilizado para tratamento da doença, também com dotação do governo federal, e conseguiu produzir um kit nacional para diagnóstico com custo menor do que os importados.

Em fevereiro de 2010, o Ministério da Saúde divulgou a Estratégia Nacional de Vacinação com grupos prioritários: indígenas, gestantes, portadores de doenças crônicas, crianças entre seis meses e dois anos de idade e jovens com idade entre 20 e 39 anos.

Em março, o governo começou a campanha de vacinação e, em apenas 3 meses, o Brasil já tinha vacinado mais de 88 milhões de pessoas, colocando o Brasil em um lugar de exemplo a ser seguido pelo restante do mundo. O governo Lula também lançou uma campanha contra boatos que duvidavam da eficácia das vacinas. O resultado foi que nenhum outro lugar do mundo vacinou tanto quanto aqui. Até janeiro deste ano, a campanha de vacinação do Brasil contra a H1N1, em 2010, foi a maior do século XXI.

A situação é desesperadora quando comparamos esse exemplo ao que acontece hoje, no momento em que enfrentamos a maior crise sanitária dos últimos 100 anos. A condução do enfrentamento à pandemia do novo coronavírus pelo governo de Jair Bolsonaro tem sido bem diferente.

Desde que a OMS declarou estado de pandemia, em 11 de março de 2020, Bolsonaro tem negado a letalidade da doença. O presidente chamou a covid-19 de “gripezinha” e alegou que, caso fosse infectado, não sentiria nada, pois tem “histórico de atleta”.

Enquanto a maioria dos países do mundo começou a vacinar em dezembro de 2020, o Brasil iniciou sua campanha de vacinação somente em janeiro de 2021 (veremos o porque mais adiante). Na comparação com a estratégia adotada em 2010, o governo atual levou 7 meses para vacinar 80 milhões de brasileiros apenas com a primeira dose do imunizante contra a covid-19. Esse atraso custou a vida de 248.776 brasileiros mortos de março de julho, segundo dados fornecidos diariamente pelas secretarias de saúde estaduais.

Sua campanha de desinformação não parou por aí. O presidente vem conduzindo uma campanha ferrenha pela administração do chamado kit covid, que contém ivermectina e hidroxicloroquina, medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença que podem causar danos sérios, como hepatite medicamentosa e até a morte.
Enquanto ignorava mais de 80 e-emails da Pfizer com ofertas de vacinas e atrasava o pagamento do instituto Butantan, que produzia os imunizantes em solo brasileiro, Bolsonaro investia quase R$ 90 milhões em remédios ineficazes, que foram enviados para todo o Brasil. Vale ressaltar que até fevereiro deste ano, apenas 9% da verba emergencial para compra de vacinas havia sido utilizada. O governo só admitiu a ineficácia do kit covid em julho deste ano, 16 meses após o início da pandemia.


Em abril de 2021, foi instalada no Senado Federal uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os crimes cometidos na condução da pandemia no Brasil. Até aqui já se descobriu que o governo ignorou as tentativas de Pfizer de contato para a venda de vacinas, sendo que o laboratório queria fazer do Brasil uma vitrine de imunização para o mundo; tentativas de mudança na bula da cloroquina para que fosse indicada no tratamento contra a covid; suspeita de que Jair Bolsonaro recebia um “aconselhamento paralelo” de membros estranhos ao governo para que testasse a chamada “imunidade de rebanho”, principalmente em Manaus; superfaturamento na compra de vacinas no caso Covaxin e mais uma série de absurdos que vão fechando cada vez mais o cerco em volta do presidente e membros do seu governo.

Enquanto isso, Bolsonaro segue negando as vacinas, o uso de máscaras e promovendo aglomerações por onde quer que passe. Ele também segue propagando desinformação em suas lives e decretou sigilo de 100 anos sobre o próprio cartão de vacinação para que a população brasileira não saiba se o chefe da nação se vacinou ou não. Ele trabalha contra o Brasil e contra o seu povo. Comemora com suas motociatas os mais de 570 mil brasileiros mortos por sua total falta de compaixão. O Brasil, que sempre foi exemplo para o mundo na questão da vacinação, hoje é um exemplo de negacionismo a não ser seguido.