24 de setembro de 2018

Em entrevista coletiva realizada na tarde de hoje (24/09), após visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad comentou as declarações do ministro Dias Toffoli, novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a democracia no país e o resultado das próximas eleições. O candidato à presidência pela coligação “O Povo Feliz de Novo” afirmou que o tema se tornou “uma grande preocupação das instituições, e nossa também”.

Toffoli tomou posse à frente do Supremo no último dia 13 de setembro e, no dia 23, substituiu Temer na Presidência da República pela primeira vez.

Haddad afirmou que sua campanha com a candidata à vice Manuela D’Ávila “vai se associar aos movimentos que colocam a democracia em primeiro lugar”, de modo “a se engajar cada vez mais no fortalecimento da democracia”.

O candidato do PT à presidência acrescentou que “vamos nos associar a todos os movimentos sociais, a todos os movimentos populares, a todos os movimentos institucionais, seja de que instituição forem”, para o fortalecimento da democracia no Brasil.

“Nós entendemos que não há como gerar empregos sem democracia, que não há como matar a fome das pessoas sem democracia, que não há como garantir educação de qualidade sem democracia”, explicou Haddad, ex-ministro da Educação nos governos Lula e Dilma.

Para Haddad, a democracia no país “está sendo ameaçada diariamente com suposições, uma hora sobre a urna eletrônica, outra hora sobre o resultado eleitoral, de modo que vamos nos associar a todos os que defendem a democracia”.

O candidato de Lula à presidência acrescentou que “o mundo está observando o Brasil com muito cuidado, em função desses movimentos exóticos, estranhos à tradição que nós consolidamos depois da redemocratização. E a nossa campanha vai se associar a esses movimentos que colocam a democracia em primeiro lugar, em respeito à soberania popular”.

Coletiva de Fernando Haddad para a imprensa em Curitiba após visita ao ex-presidente Lula. #Haddadpresidente

Publicado por Lula em Segunda, 24 de setembro de 2018

Manifesto democrático
Perguntado sobre a produção de um eventual manifesto a favor da democracia ou de uma carta ao povo brasileiro para se contrapor a outras candidaturas, Haddad explicou que “nosso ‘manifesto’ já foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral: é o nosso programa de governo, que reitero a cada entrevista”.

O Plano de Governo de Haddad, Manuela e Lula defende o aprofundamento da democracia no país, o respeito à soberania nacional e à soberania popular, “que pouca gente respeita, infelizmente”, segundo o candidato. O programa reafirma, também, os direitos sociais e trabalhistas. “O aceno que estamos fazendo é um aceno ao povo que está sofrendo com o governo Temer e com os apoiadores do governo Temer”.

Para Haddad, o próximo governo deve cultivar um ambiente de paz com dois focos: emprego e educação. “Nós entendemos que trabalho e educação é que vão tirar o país da crise. Se as pessoas não tiverem trabalho, se as pessoas não tiverem oportunidade educacional, o país não vai sair da crise”. E concluiu que é em um ambiente de paz que se constrói isso: “Não é cultivando a intolerância”.

Dinheiro em caixa
Sobre sua administração como prefeito em São Paulo entre 2013 e 2016, Haddad explicou que “não paralisamos nenhuma grande obra em São Paulo, durante o nosso governo”, mas que, depois das eleições, você é obrigado a deixar dinheiro em caixa para a próxima administração, a fim de cumprir a lei de responsabilidade fiscal. “Nós deixamos 5,5 bilhões de reais em caixa”, cumprindo a legislação, acrescentou Haddad.

“Por isso que nós tivemos todas as contas aprovadas”, destacou. O ex-ministro levantou um ponto importante em sua conclusão sobre o tema: “Quem até hoje não retomou as obras foi o meu sucessor. Por isso que ele está enfrentando tanta rejeição na cidade de São Paulo”.

Autocrítica em debate
Os jornalistas cobraram, mais uma vez, que o PT deveria fazer uma autocrítica. Haddad lembrou que o partido enfrenta permanentemente as críticas da oposição. Para ele, “quem tem que fazer crítica é a oposição”.

Haddad aproveitou para dialogar com a imprensa sobre o papel que desempenham nessa questão. “Você nunca pediu autocrítica do Fernando Henrique Cardoso pelas quatro derrotas do PSDB. Você nunca fez essa pergunta”. E seguiu: “Nunca vi vocês perguntarem ao Alckmin se ele faria uma autocrítica das quatro derrotas, da sua situação nas pesquisas. Não vejo vocês perguntarem isso ao candidato Alckmin, por exemplo. Não seria o caso de também perguntar?”. Haddad disse achar “curioso que essa pergunta é sempre feita ao PT”, e que “quem perdeu as últimas quatro eleições não foi o PT”, mas a imprensa nunca pergunta isso aos outros candidatos.

Alimentação saudável
Uma das jornalistas presentes pediu a Haddad para dar um resumo do programa de governo em 30 segundos. O candidato brincou que não seria possível falar de todo o programa em tão pouco tempo, e optou por destacar uma temática que envolve vários setores: “A questão da alimentação saudável nos interessa muito”, disse ele, contando que, “quando fui ministro da Educação, nós fizemos um programa para comprar 30% do valor da merenda da agricultura familiar”.

Haddad explicou que a proposta é “ampliar esse percentual, para fortalecer a agricultura familiar, sobretudo o papel da mulher na produção de alimentos saudáveis”. O candidato à presidência pelo PT-PCdoB-PROS afirmou que “queremos introduzir a questão da alimentação orgânica, sem agrotóxicos”, acrescentando que “entendemos que a agroecologia é um caminho para a alimentação saudável”. Haddad se comprometeu a “ampliar a aquisição de produtos orgânicos para toda a merenda escolar no Brasil, para combater essa cultura do agrotóxico”.