26 de outubro de 2021

Não, essa não é uma notícia repetida: nesta terça-feira (26), a gasolina vai subir mais 7% nas refinarias e o diesel, 9,5%. Com o novo reajuste anunciado pela Petrobras, a gasolina já acumula alta de 73% entre janeiro e outubro de 2021 e o diesel, de 65,3%. Enquanto isso, Bolsonaro inunda as redes sociais e a mídia com a repetição e o escalonamento de mentiras absurdas.

Só pra gente ficar com mais saudade daquele passado não tão distante, vale lembrar que, no último ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, a média do preço da gasolina foi de R$ 2,50 e, durante todo o ano, o aumento foi de apenas de 2,04%

O preço médio do diesel nas bombas do país em 2010, por exemplo, era de R$ 1,98. A alta acumulada em 12 meses, entre dezembro de 2009 e dezembro de 2010, foi de apenas 0,25%! Ou seja: o índice de reajuste atual é 130 vezes maior do que aquele praticado em 2010.

Bolsonaro, como sempre, se exime da responsabilidade, mesmo sendo as decisões da Petrobras as causadoras dos constantes reajustes. Desde que  a estatal adotou a política de dolarização e com a desvalorização abissal do real perante o dólar, o brasileiro vem sofrendo para abastecer seus veículos.

E se engana quem pensa que esse é um problema de quem tem carro apenas. O combustível mais caro reflete no preço das passagens de transportes públicos e no preço dos alimentos, por exemplo.

Depois de tentar jogar o problema no colo dos governadores – estratégia sem sentido, já que o percentual do ICMS, imposto estadual incidente sobre o preço dos combustíveis é o mesmo de 2016 –, Bolsonaro tentou culpar Lula (o presidente da gasolina a R$ 2,50) pelos valores inacreditáveis de 2021. Outra estratégia de Bolsonaro é falar sobre a privatização da Petrobras, como se essa fosse a solução. O que a história brasileira e mundial mostra é que a privatização agrava o problema em vez de solucioná-lo.

Qualquer pessoa mais atenta é capaz de notar um padrão nas atitudes do presidente: ele segue criando cortinas de fumaça a cada notícia negativa veiculada sobre o seu governo (e são muitas). Sabendo que o anúncio desse aumento estava próximo, o presidente declarou na última de suas famigeradas lives que as vacinas contra a covid-19 aumentam as chances de o imunizado desenvolver Aids mais rapidamente. A live foi retirada do ar pelo Facebook e pelo Youtube, e o perfil de Bolsonaro foi suspenso por uma semana. Este absurdo deveria render sérias consequências a Jair.

Essa estratégia não é nova, mas é extremamente eficaz. Com suas declarações absurdas, o presidente pauta a mídia e as redes sociais dia após dia, deixando as más notícias sobre sua administração em segundo plano.

Mas o problema do brasileiro é urgente e nada semântico. As pessoas já perceberam que o governo não providencia as condições para que as pessoas possam viver com o mínimo de dignidade, mesmo em meio à maior crise sanitária em mais de um século. De quebra, Bolsonaro e Paulo Guedes, que lucra quando o dólar está alto, têm ajudado nossa economia a afundar.

Enquanto o presidente repete mentiras pelas redes sociais (48% delas sobre a Covid, incluindo mentiras que matam), o preço da gasolina ultrapassa os R$ 7 e prejudica a vida das famílias e também a economia nacional. Bolsonaro já disse que “não é preciso ter bola de cristal” para prever novos reajustes de combustíveis. O custo Bolsonaro é caro demais, em todos os sentidos.