Lula: “Sou obcecado em investimento em educação para que este país vire uma grande nação”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30.7) que ampliar o acesso à educação é uma decisão indispensável para reduzir desigualdades e preparar o Brasil para competir internacionalmente. Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., apresentado por Rogério Vilela, Lula destacou a expansão das universidades e dos institutos federais ao longo de seus três mandatos, além da criação do ProUni e da política de cotas, como medidas para garantir que jovens pobres e negros tenham acesso ao ensino superior.

“Eu não quero que o filho do rico ou da classe média deixe de ir para a universidade. O que eu quero é que a filha da empregada doméstica e a filha da patroa tenham a mesma chance de disputar uma vaga. Esse é o papel do Estado: garantir que todos tenham oportunidade”, afirmou.

Ao longo da conversa, Lula relacionou a ampliação da rede pública de ensino à capacidade de tomar decisões, mesmo diante de interesses divergentes. “Governar é tomar decisão. Toda decisão que você vai tomar tem um pró e um contra. Quem é incompetente não toma decisão e, então, as coisas não acontecem”, disse. 

O presidente lembrou que a primeira universidade federal brasileira surgiu apenas em 1920 e atribuiu a demora à exclusão histórica de grande parte da população do sistema educacional. Segundo ele, o país foi estruturado durante décadas para restringir o acesso de indígenas, negros e pobres à escola e à universidade.

“Somente a educação vai permitir que esse país ganhe maioridade internacional e fique competitivo do ponto de vista da qualidade e da produção. Não há exemplo na história de um país que tenha evoluído antes de fazer a lição de casa, que é investir na educação”, argumentou.

Primeiro presidente do Brasil sem diploma universitário, Lula afirmou que sua própria trajetória o levou a fazer da educação uma prioridade. “Como eu não tive universidade, quero que as pessoas iguais a mim tenham. Quero que as pessoas estudem”, declarou. 

Entre as iniciativas citadas estão a interiorização das universidades federais e a expansão da educação profissional. O objetivo, segundo Lula, foi permitir que estudantes de cidades menores pudessem cursar o ensino superior sem precisar se mudar para as capitais. Ele também destacou o ProUni e as cotas como instrumentos para mudar o perfil das universidades brasileiras.  

“Se você não fizer isso, o país vai ser sempre igual. Esse país era pensado para ser governado para 35% da população e para que os outros 65% ficassem na miséria. O difícil é decidir governar para todos”, afirmou.

Lula disse ainda que o número de trabalhadores com formação universitária passou de 5 milhões, em 2002, para 25 milhões atualmente. Para o presidente, o avanço mostra o impacto da democratização do ensino, mas o país ainda precisa ampliar os investimentos para elevar a qualidade da produção e alcançar maior protagonismo internacional. 

Na entrevista, Lula também comparou a estrutura da educação profissional, encontrada no início de seu primeiro mandato, com a rede que pretende deixar ao fim do atual governo.  “O primeiro instituto federal foi feito pelo presidente Nilo Peçanha, em 1908. De 1908 a 2003, foram feitos neste país 139. Sabe quantos eu vou deixar? 802”, afirmou.

Inclusão social como investimento

Durante a entrevista, Lula situou a expansão educacional dentro de uma trajetória mais ampla de conquista de direitos sociais. Ele citou a criação do salário mínimo, em 1936, e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, durante o governo Getúlio Vargas.

Ao comparar aquele período com as políticas adotadas em seus governos, o presidente afirmou que programas destinados à população mais pobre ainda enfrentam a resistência de setores que tratam os recursos sociais como despesas. “Eles ficam olhando: ‘Ele está gastando R$ 400 bilhões com o pobre, esse dinheiro poderia estar no banco para a gente ganhar mais’. E eu acho que fazer o que eu faço é investimento”, disse.

Lula encerrou a defesa das políticas de inclusão convidando o público a comparar os resultados de diferentes governos. “Não precisa acreditar no Lula. As coisas que eu falo, você não precisa acreditar. O que eu quero é que você prove. Veja se alguém fez metade das políticas de inclusão social que nós fizemos”, afirmou.

Ao ser convidado por Rogério Vilela a deixar uma mensagem para o futuro, Lula voltou a apontar a educação como seu principal legado. “Sou obcecado por investimento em educação, ciência e tecnologia para que esse país vire uma grande nação”, afirmou. O presidente defendeu um plano de dez anos para a área, com escolas em tempo integral em todo o país e mais estudantes de engenharia e matemática, a fim de ampliar a capacidade competitiva do Brasil. “Eu quero ser o maior formador de massa do mundo”, concluiu.

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