O presidente Lula defendeu, nesta sexta-feira (14), que a soberania e a defesa nacional estejam entre as prioridades do próximo mandato. Em participação no podcast Não Inviabilize, Lula afirmou que o cenário internacional, marcado por conflitos e instabilidade, exige que o Brasil proteja seu território, seus recursos estratégicos e sua capacidade de decidir os próprios caminhos.
Durante a entrevista, o presidente destacou que o Brasil reúne ativos estratégicos, como minerais críticos, terras raras, recursos hídricos e uma das maiores reservas florestais do mundo. Para Lula, a soberania sobre essas riquezas não deve se limitar à exploração, mas ao aumento da capacidade de transformação e industrialização para agregar valor à produção nacional.
“Nós não queremos apenas extrair as terras raras, nós queremos transformá-las. E não queremos vender, mas fazer as coisas daqui, para que a gente coloque valor agregado nas coisas que a gente faz”, destacou.
DIMENSÃO TERRITORIAL – Lula também ressaltou a dimensão territorial da soberania brasileira. O país possui cerca de 8 mil quilômetros de litoral e 16,8 mil quilômetros de fronteiras terrestres, além de uma população de aproximadamente 216 milhões de pessoas. De acordo com o presidente, a proteção dessas áreas deve fazer parte de uma estratégia de defesa nacional à altura da importância do país. “É tudo nosso, e nós precisamos proteger isso”.
RELAÇÃO COM OS EUA – Ao abordar a relação com os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil deve manter uma postura de respeito, mas sem abrir mão da sua autonomia. O presidente criticou as iniciativas do governo norte-americano relacionadas às eleições brasileiras de 2026. Mencionou, ainda, a indicação de um novo embaixador no Brasil e questionou o momento escolhido para enviar o representante, após cerca de um ano e meio com o cargo vazio no país.
“Eu ouvi dizer que eles queriam mandar duas pessoas para vir para cá se meter nas eleições. Nós não demos o visto para essas pessoas. Agora, eles querem que eu, apressadamente, aceite o agrément do embaixador deles. Só depois das eleições. Porque se o embaixador dos Estados Unidos é importante no Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar o embaixador para cá e querem mandar faltando 45 dias para as eleições?”, questionou.
O Brasil não aceitará interferência estrangeira em assuntos internos, especialmente no processo eleitoral, segundo Lula. “Não se metam nos negócios do Brasil. Quem vier dar palpite na eleição vai perder”, disse o presidente.
RESPEITO – Ao longo da entrevista, Lula reforçou que a posição brasileira não está baseada em confronto, mas na defesa da igualdade entre os países e respeito mútuo. “Respeito é bom, eu gosto de dar e gosto de receber. Eu respeito todo mundo, não trato ninguém com desdém. Não sou melhor do que ninguém, mas não sou pior do que ninguém”, enfatizou.
Ao citar a relação entre os dois países, Lula afirmou que o país não precisa reproduzir o poderio militar de outras nações para defender seus interesses. “Eu não tenho os aviões que os Estados Unidos faz propaganda que tem. Eu não tenho um navio de guerra. Eu não tenho bomba atômica. O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do povo”, disse.
Para o presidente, a defesa da soberania também passa pela capacidade de o Brasil sustentar sua própria narrativa e defender seus interesses diante de pressões externas. “Com mentiras, ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras. Lamentavelmente, estão construindo inverdades contra o Brasil. Nós ontem entramos com a Lei da Reciprocidade, para mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos, o que eles querem, a gente quer também”, concluiu.
