A receita que tirou (de novo) o Brasil do Mapa da Fome

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No discurso de posse em 1º de janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resgatou, porque voltou a ser necessário, um compromisso que já havia assumido e honrado nos primeiros dois mandatos: garantir o direito constitucional a uma vida digna, sem fome.

Os dados revelados pelo Mapa da Fome da ONU em julho de 2026 reforçaram que o país vem, mais uma vez, cumprindo a missão. Entre 2023 e 2025, o número de pessoas em insegurança alimentar grave no Brasil caiu mais de 90%, chegando a 0,6% da população. Um índice que chegou a 8,5% entre 2020 e 2022, quando o país retornou ao Mapa da Fome e milhares de pessoas foram para a fila do osso.

O resultado alcançado é retrato de uma imensa articulação de 80 ações e políticas com foco no acesso à renda, proteção social e apoio à produção e ao consumo de alimentos adequados, tudo em torno do Plano Brasil sem Fome. 

Conheça alguns dos ingredientes dessa receita:

BOLSA FAMÍLIA – O programa de transferência de renda foi modernizado e adaptado, trazendo quem realmente precisava dele. Relançado em 2023, passou a entender cada família como um núcleo especial. Além dos R$ 600 de renda mínima, incluiu um adicional de R$ 150 para cada criança de zero a seis anos na composição familiar e outro de R$ 50 para gestantes, mães em fase de amamentação e crianças e adolescentes de até 18 anos.  A melhoria das condições de vida, incluindo a participação em programas de qualificação profissional, fez com que 5,6 milhões de famílias aumentassem a renda e saíssem do Bolsa Família desde 2023. Além disso, 70% dos empregos com carteira assinada gerados de janeiro a maio de 2026 foram ocupados por integrantes do Bolsa Família.

GÁS DO POVO – Triplicou de tamanho e mudou de formato. Antes, atendia cerca de 5 milhões de famílias com o valor de um botijão a cada dois meses. Em 2026, 15 milhões de famílias passaram a ser contempladas com recarga gratuita. Além de dar um alívio financeiro a quem precisava pagar pelo insumo, o programa evita problemas de saúde pública e acidentes domésticos pela adoção de métodos alternativos de cozimento, como lenha (que gera fumaça tóxica) ou substâncias altamente combustíveis. 

PAA, A PONTE VIRTUOSA – O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltou a ser prioridade. Funciona como a ponte que liga a produção da agricultura familiar, ao garantir a compra e o escoamento do cultivo de quem mais precisa no campo, ao prato cheio e saudável para milhões. Os alimentos comprados pelo governo são doados a creches, escolas, abrigos, cozinhas solidárias, restaurantes populares e unidades de saúde e assistência social. Durante o terceiro mandato do presidente Lula, o PAA beneficiou cerca de 140 mil agricultores nas cinco regiões. O investimento entre 2023 e abril de 2026 foi de R$ 2 bilhões para comprar 376 mil toneladas de alimentos. 

COZINHAS SOLIDÁRIAS – É uma iniciativa da sociedade civil destinada a produzir e ofertar refeições gratuitas a quem não tem condições de se alimentar, incluindo populações de rua. Diante da sua importância, o Governo Federal criou o Programa Cozinha Solidária para apoiar com complemento financeiro e abastecimento de alimentos essas entidades. 

MERENDA ESCOLAR – O Programa Nacional de Alimentação Escolar é fundamental para alimentar cerca de 40 milhões de estudantes da rede pública, incluindo 7,6 milhões de crianças em creches e pré-escolas. Com os repasses a municípios e estados reajustados em até 35% em 2023 (após seis anos de congelamento), o investimento federal chegou a R$ 16 bilhões em três anos. Em 2026, os valores foram novamente reajustados, com aumento médio de 14%. O PNAE atende 146 mil escolas, com cerca de 50 milhões de refeições por dia. 

SAFRINHA RECORDE – O Plano Safra da Agricultura Familiar teve recordes em todos os anos da gestão do presidente Lula. Na versão 2026/2027, a mais recente, conta com R$ 97 bilhões para fortalecer o setor. Do total, R$ 85 bilhões são para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que garante o crédito aos pequenos. A taxa para financiamento da produção de alimentos passou de 3% para 2% ao ano. Com juros baixos, agricultores familiares têm condições de ampliar a produção de arroz, feijão, mandioca, frutas, hortaliças, leite e outros alimentos essenciais.

INCLUSÃO PRODUTIVA – O Fomento Rural é um dos pilares da estratégia de combate à pobreza no campo. Alia assistência técnica com o pagamento, em duas parcelas, nos valores de R$ 2.600 e de R$ 2.000, condicionados à elaboração e desenvolvimento do projeto produtivo no qual os recursos serão aplicados. Em 2025, foram investidos R$ 144,4 milhões diretamente para as famílias atendidas. 

CONSERVAÇÃO AMBIENTAL – Desde a retomada do Bolsa Verde na atual gestão (criado em 2011, tinha sido deixado de lado no último governo), 87,11 mil famílias foram beneficiadas com pagamento trimestral de R$ 600. Destas, 65,26% são chefiadas por mulheres. As famílias vivem em áreas de Unidades de Conservação Florestais, de Reservas Extrativistas e de Reservas de Desenvolvimento Sustentável. Também são beneficiadas famílias de assentamentos ambientalmente florestais, agroextrativista, além de territórios ocupados por ribeirinhos, povos indígenas e quilombolas.

CISTERNAS – A ideia é simples e revolucionária: captar água nos períodos chuvosos para que seja armazenada para consumo humano, tarefas domésticas, criação de animais e abastecimento de escolas nos períodos de seca. Criado em 2003 pelo presidente Lula, voltou a ser prioridade no terceiro mandato.

Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, foram entregues 137,45 mil tecnologias sociais de acesso à água. As contratações somam mais de 195 mil unidades, em um investimento de R$ 1,77 bilhão. Na comparação com o período de 2019 a 2022, na gestão da extrema direita, quando foram entregues apenas 54,5 mil cisternas, o crescimento é de mais de 150%.

Diversos estudos apontam a redução dos índices de mortalidade infantil, melhoria da segurança alimentar, da qualidade de vida, do ganho de tempo e da melhoria da empregabilidade dos beneficiários. Em áreas em que houve a expansão do Programa, 30% dos beneficiários do Bolsa Família deixaram de necessitar da transferência de renda.

BPC – O Benefício de Prestação Continuada garante um salário mínimo mensal para famílias em situação de vulnerabilidade social em que há idosos ou pessoas com deficiência na composição. Em junho de 2026, eram 6,38 milhões de beneficiários, um crescimento de 25% em relação a dezembro de 2022. 

As medidas se conectam com outras implementadas ao longo do mandato para aliviar o bolso dos cidadãos brasileiros e permitir melhora da qualidade de vida e da segurança alimentar.  

LUZ DO POVO – Oficializado em julho de 2025, garante a gratuidade ou desconto na conta de luz para famílias de baixa renda com consumo de até 80 kWh por mês. Indicadores referentes a junho de 2026 mostram que 16,5 milhões de famílias (cerca de 40 milhões de pessoas) estavam entre as beneficiárias do programa naquele mês. 

FARMÁCIA POPULAR – O programa passou a ter 100% dos seus 41 itens, entre medicamentos e produtos, inteiramente gratuitos. Em 2025, 25 milhões de pessoas se beneficiaram, crescimento de 31% em relação a 2022. Em 2026, até junho, já eram 22 milhões de beneficiários em 4,8 mil municípios. O foco é no tratamento de doenças crônicas e de alta incidência na população brasileira, como hipertensão, diabetes, asma, colesterol alto, osteoporose, Parkinson, rinite e glaucoma. Também estão disponíveis  anticoncepcionais, fraldas geriátricas para pessoas elegíveis e absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

DESEMPREGO EM BAIXA – A taxa de desemprego vem registrando de forma recorrente desde meados de 2025 os menores índices da série histórica. No trimestre encerrado em junho de 2026, o índice foi de 5,4%. Os números do Novo CAGED, registram saldo de 5,3 milhões de empregos com carteira assinada de janeiro de 2023 ao fim de junho de 2026.  Num período de pleno emprego, as famílias têm melhores condições de garantir alimentação a seus integrantes. 

RENDIMENTO MÉDIO RECORDE – Outro indicador que ajuda a melhorar as condições de segurança alimentar das famílias é o rendimento médio mensal real domiciliar, que alcançou o maior valor já registrado pelo IBGE em 2025, de R$ 2,26 mil per capita. 

ISENÇÃO DO IR – Com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, promessa de campanha do presidente Lula em 2022, quem recebe até R$ 5 mil por mês deixou de pagar o tributo. Já quem ganha até R$ 7.350 passou a pagar menos, graças a descontos graduais. Cerca de 16 milhões de brasileiros foram beneficiados diretamente com mais dinheiro no bolso no fim do mês.   

AUMENTO REAL DO MÍNIMO – A política permanente de valorização do salário mínimo, retomada durante do governo do presidente Lula, garante a reposição integral da inflação e acrescenta um ganho real baseado no crescimento da economia nacional nos dois anos anteriores. A política rompeu com um ciclo de ganho real zero nos quatro anos da  gestão anterior. O poder de compra de trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas vinculados ao salário mínimo cresceu mais de 10% acima da inflação.

DESENROLA – Em outra frente, o Governo Federal atuou para reduzir o índice de endividamento das famílias brasileiras, que corrói a renda e pode ter implicações na segurança alimentar. Na primeira etapa do Desenrola, encerrada em 2024, 14,8 milhões de pessoas renegociaram R$ 53,2 bilhões em dívidas. Houve modalidades para pequenos negócios, para o FIES e uma segunda etapa foi lançada em 2026. As condições incluem descontos que podem chegar a 90% da dívida original, taxa máxima de juros de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses para pagamento e a possibilidade de usar parte do saldo do FGTS para amortizar ou quitar a dívida.

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