31 de agosto de 2018

Acusação sem prova não resiste nem 24 horas. Pobre justiça brasileira! Depois do fake news, temos o fake judge, que não é juiz, é parte! O jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo contestou argumentação do Ministério Público Federal utilizada pela juíza Carolina Moura Lebbos, da 12 Vara Federal de Curitiba, na construção de sentença proferida no último dia 30.

A sentença se utilizou de ilações infundadas para afirmar que a entrevista dada pelo ex-presidente para o jornal italiano La Repubblica foi realizada por meio de gravação de áudio. Não é verdade, como afirmam o jornalista responsável pela entrevista e o eurodeputado italiano Roberto Gualtieri, que colaborou para sua realização.

Em sua conta pessoal no Twitter, Daniele Matrogiacomo disse que “a magistratura acusa #Lula de ter me dado uma entrevista em áudio no dia 4 de agosto. Na realidade, a entrevista publicada no La Repubblica foi escrita”. Matrogiacomo acrescentou que “ele respondeu em suas próprias mãos as perguntas escritas que eu havia mandado para a prisão em Curitiba”.

 

O deputado Gualtieri endossou a posição do jornal, afirmando que “parece que alguns juízes brasileiros infelizmente se acostumaram a lançar acusações sem fundamento com base em notícias falsas da Globo. Como confirma o jornalista Daniele Mastrogiacomo, a entrevista para Lula foi feita por escrito, sem gravação de áudio, segundo as regras #juízesoupolíticos?’

Na sentença, a juíza afirmou a existência de “aparente abuso do exercício da liberdade de expressão e de comunicação” por parte de Lula, seus advogados e o jornalista. Ela aponta especificamente a argumentação do MPF acerca da entrevista publicada pelo jornal italiano, afirmando que “a expressão utilizada pelo jornalista responsável denota que a fonte da notícia parece não ter sido um meio escrito, mas uma gravação de áudio em que é possível revelar preocupação com as palavras que foram ditas”. Além disso, avaliou “que o próprio formato do texto, com perguntas e respostas, denota tratar-se de típica entrevista cujas perguntas foram adrede e previamente tabuladas, com transcrição das palavras ouvidas do entrevistado”. Como se pode comprovar, tratam-se de falsas premissas.