20 de setembro de 2018

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em São José dos Campos foi criado em 2011 pelo governo de Dilma Rousseff para monitorar riscos e evitar desastres naturais – buscando, assim, trazer mais segurança e salvar vidas de brasileiros e brasileiras. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, é o Cemaden agora que corre risco de vida: em 2018, o governo ilegítimo de Temer e do PSDB não repassou nenhum verba ao centro, apesar de haver previsão de repasse na lei orçamentária anual. O Centro é um dos 508 programas federais que ainda não receberam verba neste ano. O apagão de Temer segue a passos largos.

A análise do orçamento de 2018 deixa nítido: um terço dos programas federais previstos inicialmente para este ano não recebeu nenhum recurso até setembro.  Segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo, o orçamento de 2018 do governo federal previa recursos para 1.585 programas federais neste ano. Até setembro, o pagamento para 508 destes programas está zerado. Os programas  negligenciados pelo governo incluem áreas tão diversas e cruciais como saúde, segurança hídrica, energia e patrimônio histórico, além do monitoramento de desastres naturais, entre diversas outras áreas.

 

Vale lembrar que não apenas o PSDB de Geraldo Alckmin arquitetou o golpe de 2016, responsável pelo desmonte do país, como também Jair Bolsonaro e seu partido, o PSL, são fieis apoiadores no Congresso das medidas propostas por Temer.

Nesta quinta-feira (20), Fernando Haddad estará na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. O candidato a presidente da República pela coligação “O povo feliz de novo” irá visitar o Cemaden na tarde desta quinta para conversar com os pesquisadores, conhecer mais do trabalho do Centro, compreender a situação do órgão – e, sobretudo, para afirmar sua relevância, bem como a importância da área de Ciência, Tecnologia e Inovação para o país. No governo de Haddad e Manuela, a proposta é que a área volte a contar com um ministério específico, pois o governo ilegítimo de Temer fundiu a pasta do setor com a da área de comunicações.

O Cemaden
Criado em 2011 pela presidenta Dilma, o Cemaden foi uma resposta do governo brasileiro à grande tragédia que se abateu sobre a região Serrana do Rio de Janeiro. Na ocasião, fortes chuvas, que provocaram enchentes e grandes deslizamentos de terras, levaram à morte centenas de pessoas nos municípios de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto e Bom Jardim.

Uma catástrofe, que representou o estopim na criação do Cemaden, decidida naquele mesmo ano. Reportagem publicada pelo Jornal do SindCT (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial) mostrava que, anos após a tragédia, “os municípios da serra fluminense ainda buscam superar as marcas de 2011” e que, “para o Cemaden, eles representam não só um de seus maiores desafios, mas igualmente o terreno fundamental para o desenvolvimento de pesquisas e padrões que possam ser aplicados e utilizados no restante do país”.

No início de 2016 – antes do golpe contra Dilma e contra a democracia -, o Cemaden monitorava, em todo o país, cerca de 5 mil equipamentos (pluviômetros automáticos e semiautomáticos, radares, Estações Totais Robotizadas -ETR, entre outros) nas regiões mais suscetíveis às chuvas e deslizamento de encostas.

Naquele momento, o Cemaden investia em uma intensa agenda de instalação de Estações Totais Robotizadas nas mais diversas regiões do país. Os municípios da região serrana do Rio de Janeiro estavam entre as prioridades na implementação dos equipamentos. A medida destinava-se a acompanhar os fenômenos naturais daquela região — climáticos, geológicos e outros — com vistas a evitar a repetição de tragédias como a verificada ali em 2011.

Além das ETRs, os pesquisadores do Cemaden contavam com outro equipamento que desempenha papel crucial para o monitoramento: uma rede de sensores geotécnicos voltados a monitorar os deslocamentos de terrenos. Os sensores captam até mesmo as mais sutis movimentações de terra, com precisão de milímetros. Se esses pontos se deslocam, a Estação Total Robotizada emite um alerta via SMS e Internet.

De acordo com a reportagem do Jornal do SindCT, “a interpretação desses dados (e de outros sobre as chuvas) é o ponto de partida para a eventual emissão do alerta e para a definição da evolução do nível desse alerta. O monitoramento realizado pelo Cemaden em todo o país, especialmente nesses municípios, gera dados que são trabalhados posteriormente em processo de pesquisa, análise e investigação. São dados específicos de cada localidade, que poderão ter repercussão geral no futuro”.

No início de 2016, o Cemaden monitorava cerca de 1.000 municípios em todo o país. Seus integrantes já enfrentavam desafios gigantescos. Uma órgão que deveria contar com cada vez mais recursos, investimentos e colaboradores. E não ser sufocado com a falta de verbas no Orçamento federal.