24 de março de 2022

Cada dia que Bolsonaro passa na cadeira da Presidência da República torna mais difícil a vida do brasileiro. Estudo divulgado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) aponta que, nos últimos 12 meses, a inflação dos alimentos que compõem a cesta básica chegou a 12,67%. O índice está dois pontos percentuais acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que teve avanço de 10,54% em 12 meses.

A alta afeta do pãozinho à carne e tem maior impacto nos que têm a renda mais baixa.  A cada ida ao supermercado, o trabalhador percebe que seu poder de compra encolheu ainda mais. De acordo com dados do Dieese, de 2019 para 2022, o aumento de preços do grupo de alimentos essenciais para o brasileiro foi de 48,3%: o dobro da inflação acumulada no mesmo período, que foi de 21,5%.

O preço da cesta básica ultrapassou os R$ 700 em várias capitais do país. Com o salário mínimo atual, de R$ 1.212, é possível comprar 1,73 cesta básica. Em 2010, com um salário mínimo era possível comprar 2,31 cestas básicas, proporção que chegou a 2,58 em 2014.

Alguns alimentos sofreram alta de mais de 100%. O óleo de soja passou de R$ 3,48 para R$ 8,82, alta de 153%. O café aumentou 88% e o quilo da carne bovina teve elevação de 75%.

O brasileiro, que já não consegue comprar carne há muito tempo, agora sofre também com a alta do frango e da carne suína. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) calculou que o Índice de Custo de Produção do Frango (ICP-Frango) atingiu 439,2 em fevereiro, maior patamar dos últimos 12 anos. Já o ICP-Suíno foi de 437,07, o maior dos últimos 12 meses.

Esse aumento descontrolado da inflação dos alimentos, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), está diretamente relacionado ao modelo agro-exportador e ao abandono dos estoques reguladores de alimentos.

Ausência de políticas públicas de controle de preços

Na lista de alimentos que tiveram alta, a carne bovina de primeira, o açúcar, o óleo de soja e o café em pó, alimentos que são exportados e relacionados às commodities privilegiadas no modelo de agronegócio brasileiro. O Dieese denuncia que a desvalorização do real estimula a exportação desses itens e o mercado interno fica desabastecido

Bolsonaro zerou os estoques reguladores de alimentos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), política pública que consiste na manutenção de quantidades de alimentos pelo governo para frear o aumento nos preços.

Ao contrário, em setembro, quando houve o embargo chinês à carne bovina brasileira, não houve qualquer intervenção do governo federal e o preço do produto no varejo não caiu, pois o produtor guardou a carne para quando a sanção acabasse. Bolsonaro e Guedes assistiram, de camarote, o preço da carne alcançar patamar jamais visto e filas do osso se formarem nas portas de açougues e frigoríficos.

Além disso, o presidente atua para liberar agrotóxicos e pacote da destruição, enquanto veta socorro aos pequenos produtores. Ele foi responsável pelo desmonte das políticas públicas de auxílio à agricultura familiar criados pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o Territórios da Cidadania. Se valorizado, o pequeno produtor poderia ajudar a conter a alta de produtos.

Bolsonaro continua se desresponsabilizando e atribuindo a alta do preço dos alimentos a fatores externos à sua administração, como a pandemia e agora a guerra na Ucrânia, mas a verdade é, quando se trata de povo, o presidente não move uma palha sequer.