30 de setembro de 2018

O coletivo Alvorada, de Belo Horizonte, parece ser onipresente. É deles o bandeirão amarelo de 10m por 60m com a inscrição “Lula Livre”, que se vê em qualquer manifestação em solidariedade ao ex-presidente na capital mineira. Mas ele não aparece só em Minas Gerais. O bandeirão viaja e esteve recentemente no Festival Lula Livre, na avenida Paulista; já foi à Curitiba para acompanhar o depoimento do petista ao juiz Moro; e cobriu a rua ao lado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, nos dias que antecederam a prisão do ex-presidente. Lá, inclusive, serviu de lençol para os manifestantes que passaram as noites no local. Isso só para citar alguns dos inúmeros lugares por onde o bandeirão passou.

A luta do coletivo, porém, começou bem antes, na época em que o golpe ainda não tinha se configurado, com o singelo objetivo de “manter a moral da tropa”, e continuou com o “Fora Temer”, em manifestações em locais diversos, inclusive em eventos que pudessem chamar a atenção internacional para a questão. Durante as Olimpíadas, em um jogo no Mineirão, por exemplo, nove pessoas do grupo, cada um com uma letra na camisa, formaram a frase “Fora Temer”. Munidos também de cartazes em que se lia “back democracy”, eles foram convidados a se retirar do estádio, mas o protesto estava feito. O fato foi noticiado pela Mídia Ninja, que acabou pautando a grande mídia do país e do mundo.

No estádio Independência, o Alvorada também já estendeu a faixa “Lutar Lutar Lutar, Temer Jamais” atrás de um dos gols, em referência ao usurpador do poder de Dilma Rousseff e ao hino do Atlético Mineiro, que jogava no dia.

Os integrantes do Alvorada são incansáveis. Entre os vários atos promovidos por eles, está o carnaval de BH, o mais “fora Temer” do país, graças à distribuição gratuita de 1,5 milhão de adesivos com a famosa inscrição.

Como se não bastasse atuar com força em várias cidades brasileiras, o coletivo promove atos mundo afora. Versões “Free Lula” da bandeira estão espalhadas por Nova York, Vancouver, Milão, Paris, Lisboa, entre outras cidades. O “eu sou Lula” se transformou em “Je suis Lula”, “I am Lula”, “Yo soy Lula”, estampando camisetas ao redor do mundo.

A última empreitada da trupe foi a Primavera Lula Livre, com direito à presença de Dilma e de um tapete de serragem com a imagem do ex-presidente.

Para a grande manifestação das Mulheres contra Bolsonaro, no sábado (29/9), o coletivo fez 150 metros de faixa lilás com a inscrição #EleNão. Os atos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília também terão a faixa, já que o coletivo doou 30 metros para cada uma das cidades.

O mais lindo da trajetória do Coletivo Alvorada é que eles vivem da colaboração de várias pessoas que acreditam na causa, passando o chapéu nas várias manifestações promovidas pelo país.