17 de março de 2022

Quando Luiz Inácio Lula da Silva se tornou presidente da República, em janeiro de 2003, o preço médio do litro. de gasolina no Brasil era de R$ 2,16. Em dezembro de 2010, ao final de seu segundo mandato, o valor da gasolina no Brasil era de R$ 2,59. Ao longo de oito anos, o aumento total da gasolina no governo Lula foi de apenas R$ 0,43. A estabilidade no preço da gasolina mesmo em meio à crise mundial que se iniciou em 2008 deveu-se ao fortalecimento da Petrobras e à política de preços determinada pelo governo para a estatal à época.

Cenário muito diferente do atual, em que Jair Bolsonaro não apenas levou o litro da gasolina à impressionante média de R$ 7,50 como também segue se desresponsabilizando pelos desastres que causa. Apenas em março, Bolsonaro já aumentou em 18,8% o valor do combustível nas refinarias. Este é quase o mesmo percentual de aumento durante todo o governo Lula, que não passou de 20%. Em um mês, Bolsonaro aumentou tanto a gasolina quanto Lula aumentou em 8 anos de governo.

Bolsonaro já culpou os governadores (apesar de a média de ICMS atual ser a mesma de 2016) e os governos do PT, enquanto defendia a dolarização dos preços, política implementada após o golpe de 2016 e aprofundada em sua gestão. Com a crise mundial causada pela guerra na Ucrânia e o caos se anunciando no setor devido à alta do preço do barril de petróleo e à dolarização, Bolsonaro decidiu culpar a Petrobras, como se esta não estivesse diretamente vinculada às decisões e à gestão do presidente da República. E diz que a solução seria privatizar a empresa.

Como tantas vezes já repetiu Lula, o desmantelamento da Petrobras e sua gradativa privatização são os responsáveis pela atual crise de combustíveis. Nas palavras de Lula:

Você sabe por que a gasolina e o óleo diesel estão caro? Porque o Brasil tinha uma grande distribuidora chamada BR que foi privatizada. E agora você tem mais de 400 empresas importando gasolina dos EUA ao preço de dólar, enquanto nós temos auto-suficiência e produzimos petróleo em reais.

E nem adianta Bolsonaro e seus apoiadores quererem culpar o preço internacional do barril de petróleo: em 2008, o barril de petróleo chegou a U$146,08, e o preço médio da gasolina no Brasil era R$ 2,50. Em 2022, o maior valor do barril chegou a U$113, com a gasolina a R$ 7,50 o litro.

Desde janeiro de 2019, início do governo Bolsonaro, a gasolina já aumentou R$ 3,24: passou de R$ 4,27 para R$ 7,50 em 3 anos. O aumento de 75% no preço da gasolina revela o profundo desprezo de Bolsonaro pelo povo brasileiro. Combustível caro significa frete caro e alimentos caros. Não é uma coincidência a inflação descontrolada no preço dos alimentos e a volta da fome no Brasil, onde 19 milhões de pessoas passam mais de 24 horas sem ingerir nenhum alimento.