01 de outubro de 2018

No debate entre os presidenciáveis promovido pela Rede Record, neste domingo (30/09), enquanto Fernando Haddad apresentava propostas efetivas para o país sair da crise e voltar a se desenvolver com inclusão, os outros candidatos se dedicaram a atacar o representante da coligação “O Povo Feliz de Novo”.

Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede) participaram do debate. Com três blocos de embate direto entre os candidatos e um bloco para considerações finais, o debate durou mais de duas horas.

Logo na abertura, Cabo Daciolo (Patriota) perguntou a Fernando Haddad quem era o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ele. “Lula foi o maior presidente da história do Brasil, o maior estadista brasileiro, com projeção internacional, que recebe semanalmente líderes do mundo inteiro em Curitiba, que vêm prestar solidariedade em função de sua situação de preso político”.

Contra as acusações do candidato do Patriota de que o PT não fez nada durante seus anos de governo e de que “deu dinheiro” para a Venezuela, Haddad explicou que, durante os governos de Lula, o Brasil era líder na América Latina, promovendo cooperação internacional e comércio profícuo na América do Sul, na África e no Oriente. “Os bens exportados pela indústria brasileira geravam emprego no Brasil”, disse ele, lembrando que as gestões petistas criaram 20 milhões de empregos em 12 anos. “Investimos na educação e quase triplicamos o número de jovens nas universidades”, disse

Ainda respondendo a Daciolo, Haddad falou sobre a questão de infraestrutura, destacando que irá retomar as obras paralisadas para gerar emprego e melhorar a produtividade. Com 2.800 obras paradas hoje, segundo levantamento da CNI, Haddad afirmou que substituirá o teto de gastos estabelecido pela Emenda Constitucional 95 por outra forma fiscal que garanta investimentos. “A emenda constitucional 95, que fixou o teto de gastos, impede o governo de realizar obras de infraestrutura. Vamos substituir o teto de gastos do Temer por uma outra fórmula fiscal, que permita ampliar investimentos”, afirmou Haddad.

Na segunda etapa, Haddad perguntou a Henrique Meirelles (MDB) quais eram suas propostas de políticas públicas para pessoas com deficiência e idosos. Haddad afirmou que, “em qualquer circunstância, a pessoa com deficiência e o idoso merecem respeito, em qualquer situação que a economia se encontre”. “Nos governos de Lula e do PT, todos os programas foram alterados pra atender as necessidades de idosos e pessoas com deficiência”. Haddad citou as habitações com acessibilidade no Minha Casa Minha Vida e o programa que incluiu, por meio de busca de porta em porta, 400 mil crianças com deficiência que estavam fora das escolas.

Confrontado por Ciro Gomes, Haddad falou dos seus critérios para fazer coligação com forças democráticas e populares e reafirmou sua defesa da democracia, da paz, dos direitos sociais, civis e trabalhistas. “Os partidos que estão conosco são PROS e PCdoB. Procuramos fazer uma ampla coalizão com o campo democrático popular. Para nós, não existe outro regime senão a democracia”, disse.

Sobre o tema, o candidato petista disse ainda que uma futura coligação no segundo turno será com gente que defende o povo, o povo mais pobre que precisa do estado. “Nós acreditamos na democracia. Não acreditamos em violência, mas na educação e no trabalho”, explicou. Para Haddad, somente com trabalho e educação iremos sair dessa crise: “gostaria que todo brasileiro tivesse um livro em uma mão, uma carteira de trabalho assinada na outra”.

No segundo bloco, Haddad, ex-ministro da Educação de Lula, perguntou a Ciro Gomes sobre as propostas do pedetista para a educação. Haddad lembrou que ninguém investiu mais em ensino superior público gratuito do que ele: foram mais de 126 cidades que receberam câmpus de universidades federais e mais de 214 cidades que receberam câmpus de institutos federais.

Haddad reafirmou que o Fundeb aportou R$ 13 bilhões de reais para 10 unidades da federação, sendo 8 delas no Nordeste, inclusive o Ceará de Ciro Gomes, um dos estados que mais recebe recursos do fundo. Vale notar que, ao contrário do que Ciro falou, o Fundeb não é uma adaptação do Fundef, é um novo modelo de financiamento da educação.

Questionado pelo candidato do PDT sobre sua proposta apresentada no plano de governo a respeito de soberania nacional e popular na refundação democrática do Brasil, Haddad explicou que nossa constituição tem mais de 100 emendas constitucionais e pode ficar mais moderna e mais enxuta. Para ele, é possível criar condições para que se coloque regras para o sistema bancário e o sistema previdenciário. “Isso pode ser feito se o Congresso decidir convocar uma Assembleia Constituinte”, disse.

O candidato da coligação “O povo feliz de novo” enfatizou que é um democrata e que seu compromisso com a democracia não é de hoje. “Eu repudio todos os governos autoritários de esquerda ou de direita. Para mim, tudo se resolve pelo voto e pela soberania popular, inclusive quem vai ser o novo presidente da República”.

O candidato de Lula perguntou a Guilherme Boulos (PSOL) sobre candidatos que se dizem moderados, como Alckmin e Meirelles, mas que, na verdade, dão sustentação a um governo ilegítimo que retira direitos, que implementou o teto de investimentos públicos e a reforma trabalhista.

Haddad afirmou que seu governo irá revogar as reformas arbitrárias de Temer e do PSDB, por meio de forças democráticas, com diálogo com o povo. “Foi Lula que se comprometeu a acabar com a fome no Brasil. É pela democracia e com o diálogo com o povo que o Brasil vai voltar a colocar o pão na mesa”, disse Haddad.

Nas suas considerações finais, Haddad disse que vê o futuro de brasileiros e brasileiras de espíritos desarmados, alimentados por trabalho e educação. “Vislumbro uma imagem do brasileiro com carteira de trabalho assinada numa mão e um livro na outra, e não com arma”, disse ele. Haddad evocou a época de Lula. “As pessoas viveram em um momento em que o Brasil criou 20 milhões de empregos em apenas 12 anos e nós abrimos as portas das escolas técnicas e das universidades para os jovens brasileiros. Quem está reeducando o país é a mulher, que foi às ruas pedir paz e democracia e exigir direitos garantidos na nossa Constituição. Vote 13, para o Brasil voltar a ser feliz de novo”.

Boulos afirmou que é importante, no primeiro turno, votar em quem se acredita, enquanto Dias, Ciro, Marina, Meirelles e Alckmin fizeram seus discursos para que o eleitor não vote nem no PT, nem no Bolsonaro. Daciolo fez uma pregação.