07 de maio de 2022

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), não pôde participar presencialmente do ato de lançamento do Movimento Vamos Juntos Pelo Brasil, na manhã de hoje, 7, na capital paulista.

De sua casa, onde se recupera após ser diagnosticado com Covid-19, ele falou agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo convite para formar uma chapa para disputar as eleições de outubro e falou sobre a necessidade de unir a sociedade brasileira em torno de um programa que recupere o país.

“E deixem-me, neste ponto, fazer um agradecimento: obrigado, presidente Lula, por me dar o privilégio da sua confiança. Mesmo que muitos discordem da sua opinião de que lula é um prato que cai bem com chuchu, que acredito venha ainda a se tornar um hit da culinária brasileira. Quero lhe dizer, perante toda a sociedade brasileira: muito obrigado”, declarou.

Confira abaixo a íntegra do discurso de Alckmin:

“Quero dizer que estou triste, eu e a Lu, de não podermos estar aí com vocês. Como tantos brasileiros, fui diagnosticado com Covid. Mas não fui pego desprevenido: graças às vacinas e ao nosso sistema público de saúde, a doença me causou apenas sintomas leves. Por precaução, me resguardei, e sinto muito, queria muito estar com vocês.

Eu quero começar por dizer que nada, nenhuma divergência do passado, nenhuma diferença no presente, nem as disputas de ontem, nem eventuais discordâncias de hoje ou de amanhã, nada, absolutamente nada, servirá de razão, desculpa ou pretexto para que eu deixe de apoiar e defender, com toda a minha convicção, a volta de Lula à presidência do Brasil.

E é com muito orgulho que faço isso com o imprescindível respaldo, a confiança e a participação do meu partido, o bravo e valoroso PSB. 

Números diferentes, quando somados, não diminuem de valor. Pelo contrário, elevam a sua grandeza. 

Essa lógica aplica-se também à política.

A democracia é marcada, sim, por disputas. Disputas fazem parte do processo democrático. Mas, acima das disputas, algo mais urgente e relevante se impõe: a defesa da própria democracia. 

E quando essa defesa reclama a formação de alianças, e as alianças são construídas graças à persuasão, e não à cooptação por verbas ou ao aliciamento por cargos, essa conjunção de forças políticas torna-se uma formidável conquista.

Quando o presidente Lula me estendeu a mão, eu vi nesse gesto muito mais do que um sinal de reconciliação entre dois adversários históricos. Vi um verdadeiro chamado à razão.

E é à razão de todos vocês que me dirijo neste momento. Pensemos nas disputas do passado e pensemos na união de hoje. O que é que mais importa? O que mais importa, eu lhes respondo, é aquilo que o Brasil precisa. 

O Brasil sobrevive hoje ao mais desastroso e cruel governo da sua história. Perdulário nas despesas públicas, hipócrita no combate à corrupção, patrocinador de conflitos temerários e querelas inúteis, despreparado na condução da economia, ineficiente administrativamente e socialmente injusto e irresponsável. O que mais é necessário constatar para se concluir que o Brasil precisa de mudança?

Presidente Lula, há momentos em que, antes de uma aliança determinar a sua missão, é a própria missão que determina a sua aliança. É o que vemos acontecer aqui, hoje, entre PT, PSB, Solidariedade, Rede, PV, PcdoB e Psol, além de valorosas lideranças políticas, das mais diversas convicções ideológicas, que aqui comparecem, patriótica e corajosamente, independente da presença institucional de seus próprios partidos, para dar ainda mais força e representatividade à nossa união no cumprimento da nossa missão.

E essa missão, ela não é simples nem modesta. O que – eu tenho certeza –  constitui um desafio que nos serve muito mais de estímulo, que de intimidação. 

Prometemos hoje ao Brasil um governo realmente democrático, e nós haveremos de dar e garantir isso ao povo brasileiro. 

Prometemos ao Brasil usar o seu potencial de grandeza para construir a prosperidade que todos os brasileiros merecem, com mais educação, pesquisa, instrução e profissionalização, e nós lutaremos para que isso aconteça. 

Prometemos ao Brasil um governo que não mais ignore o sofrimento do seu povo diante de qualquer ameaça, seja às suas vidas, à sua saúde ou ao seu bem-estar, e nós vamos, presidente Lula, cumprir isso. 

Prometemos jamais pôr em risco a segurança da biodiversidade, resguardar e valorizar a riqueza e variedade do nosso meio ambiente, e nós haveremos de respeitar isso. 

Prometemos estimular o empreendedorismo, os investimentos, a produção e uma relação reciprocamente mais justa e vantajosa entre trabalhadores e empresários, e nós haveremos de mostrar que isso é possível ser feito. O desafio é grande. Mas não desanimemos diante disso, vamos nos animar para isso.

E até o final dessa missão, nós, presidente Lula, nós vamos estar juntos, apoiando e defendendo o seu governo, até que o seu trabalho tenha sido completamente realizado. Porque é disso que o Brasil precisa. E é essa a missão que determina a nossa aliança.

E deixem-me, neste ponto, fazer um agradecimento: obrigado, presidente Lula, por me dar o privilégio da sua confiança.

Presidente Lula,  mesmo que muitos discordem da sua opinião de que lula é um prato que cai bem com chuchu (o que acredito venha ainda a se tornar um hit da culinária brasileira), quero lhe dizer, perante toda a sociedade brasileira: muito obrigado. 

Serei um parceiro leal, seriamente compromissado com o seu propósito de fazer do Brasil um país socialmente mais justo, economicamente mais forte, ambientalmente mais responsável e internacionalmente mais respeitado. 

E para isso acontecer, temos uma grande luta pela frente. Uma luta pela mudança. E, aqui, faço um chamado público às demais forças políticas do país que trabalham por essa mesma mudança: venham se juntar a nós! 

As próximas eleições guardam uma perigosa peculiaridade: será um grande teste para a nossa democracia. E que ninguém duvide disso: sem Lula, não haverá alternância de poder no país. E sem alternância de poder, não haverá garantias para a nossa democracia.

Lula é, hoje, a esperança que resta ao Brasil. Não é a primeira, a segunda nem a terceira. Ele é a única via da esperança para o Brasil. E como se não bastasse o risco para a democracia, o futuro do Brasil também está em jogo.

Por isso, quando a ignorância se une à mentira como estratégia política para demonizar eleições livres e aviltar a democracia, não devemos vacilar: o caminho é com Lula. 

Quando brasileiros são relegados à própria sorte em meio às mazelas de uma pandemia letal, não devemos aceitar: vamos responder com Lula. 

Quando as injustiças sociais grassam por omissão do governo, e a pobreza e a miséria assumem dimensões vergonhosas e intoleráveis, não podemos hesitar: a solução virá com Lula. 

Quando as instituições nacionais sofrem agressões e ameaças contra o desempenho de suas funções soberanamente asseguradas pela Constituição, não nos cabe duvidar: a razão deve falar mais alto e devemos todos estar do mesmo lado.

E esse lado é o lado dos brasileiros que sofrem; dos que perderam seu trabalho, sua renda; dos que viram suas economias desaparecerem ou diminuírem; dos que se veem hoje privados de perspectiva e de esperança; do lado dos brasileiros que estão inconformados com a incompetência dos que hoje conduzem o país, com a divisão social, com o reiterado desperdício de chances e oportunidades que poderiam permitir ao Brasil alcançar a sua posição de grandeza no mundo.  

Amigas e amigos, política se destina a cuidar de gente. É de gente que trata a política. Gente em primeiro lugar. E a nossa união política será mais completa quanto mais participativa ela se fizer. Fiquei feliz de ver aqui movimentos sociais, de trabalhadores, religiosos, empreendedores, sociedade civil organizada toda presente. Por isso, devemos estimular e favorecer a necessária e valiosa participação das minorias na política. Pois a pluralidade é o coração da democracia. 

Vamos mudar também os termos do debate político. Vamos provar que não há incompatibilidade entre a prosperidade individual e uma sociedade solidária. Vamos provar que a eficiência econômica e a justiça social não são coisas opostas, não permitir que essa falsa dicotomia restrinja a política a um eterno confronto entre liberdade e igualdade. 

A política pode e deve servir de instrumento para a promoção da igualdade sem prejuízo da liberdade. Não há democracia sem liberdade, assim como não há liberdade sem justiça, nem justiça sem igualdade.

Amigas e amigos, a escolha a ser feita em outubro está nas mãos do povo brasileiro, mas cabe a nós assegurar, trabalhar para que essa escolha seja a melhor para o país.  Vamos nos colocar a serviço desse propósito! Que nossos corações sejam um só! Vamos juntos pelo Brasil!”