03 de outubro de 2018

O candidato de Lula, Fernando Haddad, fez uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3/10), em São Paulo. Ele falou sobre a onda de fake news e mentiras contra ele e sua candidatura, que está sendo divulgada pelo WhatsApp. O candidato de Lula também falou sobre a importância de se respeitar o resultado das eleições e a política internacional.

O ex-ministro da Educação de Lula informou que sua campanha colocou um número de telefone para receber as denúncias de fake news. “São milhões de mensagens com conteúdos ofensivos contra minha família, minha atuação como ministro, com imagens vulgares de mulheres e crianças”, disse Haddad. Segundo ele, as mensagens são direcionadas, sobretudo, ao público evangélico, que mantém valores iguais aos dele e de sua família.

Ele afirmou que alguns portais já checaram essas fake news, mas outras milhares continuam sendo disseminadas pelo grupos de WhatsApp. “É muito difícil identificar o emissor. Não é simples, diferentemente do Facebook e Twitter, que tem um IP que pode ser identificado. No caso do WhatsApp, tem esse agravante, mas é possível. Até domingo, vamos tentar fazer o caminho de volta pra saber quem fez esse jogo baixo”, falou Haddad.

Ele divulgou o número  (11) 993-223-275 , que está recebendo denúncias de fake news em sua campanha.

O candidato afirmou que, até aqui, manteve uma campanha propositiva, mas agora chegou a vez de se defender. “Estamos na quarta-feira, às vésperas da eleição, e, até aqui, eu fiz uma campanha propositiva e vocês me cobravam ataque. E eu respondia: ‘vamos manter a linha propositiva’. Agora chegou o momento de nos defendermos, porque é muito grave o que está acontecendo no WhatsApp”. De acordo com Haddad, as pessoas “têm o direito a ser bem informadas, com informações fidedignas, sem falsidade, sem truque”. “Nossa única preocupação é que as pessoas votem conscientemente”.

Haddad lembrou que o PT sempre defendeu a democracia e o resultado das urnas. O candidato afirmou que o Brasil demorou 500 anos para criar um partido que representasse a classe trabalhadora. “Lula é uma liderança carismática que muito países admiram. Eu visitei muito países e onde eu cheguei, todo mundo dizia que nós queríamos ter essa figura conciliatória, do diálogo, uma pessoa que tem lado, o lado dos mais pobres, que é o Lula. Esse projeto ele encarna. Temos 2 milhões de filiados e queremos honrar a tradição trabalhista que, no meu entendimento, é o que vai tirar o país da crise. Apoiar o trabalhador e aumentar seu poder de compra, ampliar empregos: é isso que vai tirar o país da crise”.

Haddad também falou sobre a Reforma da Previdência. Segundo ele, a prioridade do seu governo será com a Previdência dos estados e municípios. “Muitos governos hoje não estão conseguindo pagar a folha devido à grave crise que o país enfrenta. Temos que repactuar o que chamamos de regimes próprios. Isso significa que vamos sentar com trabalhadores, como fizemos em 2003 e em 2012, e repactuar termos de garantia de sustentação da previdência pública”, disse.

Perguntado sobre política externa, ele falou da importância de retomar parcerias com os países do BRICS e do Mercosul. “O Brasil está recolhido, acanhado. Os BRICS são muito importantes para o Brasil. Índia, China, Rússia são mercados muito importantes e temos que aprofundar acordos bilaterais e multilaterais com esses parceiros. O caminho da exportação é um caminho duradouro na geração de empregos”. Sobre o Mercosul, ele disse que será preciso aprofundar o ritmo de integração. “Eu já estou em contato com autoridades argentinas e vamos buscar aproximação com eles, até porque o Brasil pode ser uma solução para a Argentina, como a Argentina pode ser uma solução para o Brasil. Mais integração e mais comércio. Do acordo com a Europa, fomos nós que iniciamos as tratativas. Duvido que o Temer consiga entregar esse acordo, até pela inapetência do governo em fazer qualquer coisa externa. Queremos ajustar com a União Europeia”. Haddad disse ainda que a vitória de Obrador no México abriu possibilidades de acordos bilaterais com o país.