21 de setembro de 2018

O combate à fome no Brasil e no mundo é uma das grandes causas da vida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Suas políticas de combate à fome e de transferência de renda são inspiração para o mundo inteiro: podem prender injustamente um homem, mas não conseguem prender suas ideias. Mesmo sendo mantido preso político há quase seis meses, Lula continua a se inquietar contra a fome no mundo. Ele leu e se fascinou com o livro “A Fome”, do jornalista argentino Martín Caparrós.

Em seu discurso de posse como presidente da República em 1° de janeiro de 2003, Lula disse, emocionado: “se ao final do meu mandato todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida”. Lula foi o criador do maior programa de transferência de renda e de combate à fome do mundo, responsável pelas políticas que retiraram o Brasil do Mapa da Fome da ONU. Em 2011, Lula ganhou o World Food Prize, prêmio que reconhece sua luta mundial contra a fome e a desnutrição. O ex-presidente indica que todos que se comovem com a fome no mundo leiam o livro de Caparrós.

O livro

“A Fome” é um livro construído a partir de histórias de pessoas que trabalham em condições bastante precárias para mitigá-las e sobre aqueles que usam o alimento como meio de especulação financeira, provocando fome em muita gente. Para entendê-la e narrá-la, Martín Caparrós viajou pela Índia, Bangladesh, Níger, Quênia, Sudão, Madagascar, Argentina, Estados Unidos e Espanha. Nesses países, Caparrós encontrou pessoas que, por diferentes motivos — secas, miséria, guerras, marginalização —, passam fome. “A Fome” tenta, sobretudo, destrinchar os mecanismos que fazem com que quase um bilhão de pessoas não comam o que precisam. Incômodo e apaixonado, o livro é uma crônica que faz pensar, é um ensaio que relata e é um panfleto que denuncia a pressão de uma vergonha incessante.

À porta de uma choça numa aldeia do Níger, Martín Caparrós pergunta a Aisha, 35 anos e olhos de tristeza:

— Se pudesse pedir o que quisesse, qualquer coisa, a um mago que fosse capaz de atendê-la, o que lhe pediria?

— O que eu quero é uma vaca que me dê muito leite; então, se vender um pouco do leite, poderei comprar as coisas para fazer sonhos e vendê-los no mercado.

O incrédulo jornalista insiste:

— Mas o que estou lhe dizendo é que o mago poderia lhe dar qualquer coisa, o que você lhe pedisse.

— Qualquer coisa?

— Sim, qualquer coisa.

Aisha baixa o tom de voz para responder:

— Duas vacas. Com duas, sim, não mais passaria fome.

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