04 de abril de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Em discurso hoje (04) na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde participou do lançamento da plataforma da entidade para as eleições deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a abordar a destruição em curso na Petrobras e relacionou a alta desenfreada nos preços dos combustíveis à decisão de vender a BR Distribuidora, sob argumento de aumentar a concorrência e reduzir preços, mas o efeito foi o oposto.

“O argumento para fatiar a BR foi de que, no Brasil, faltava concorrência e de que, com a competição, a tendência era o preço baixar. Muita gente acreditou nisso. Hoje nós temos 392 empresas importando gasolina a preço de dólar e vendendo a preço de dólar. Muita gente acha que é normal”, disse, lembrando que a Petrobras foi destruída após a saída do PT do poder, assim como a indústrias naval e de óleo e gás.

Lula, que tem ressaltado a necessidade de “abrasileirar” os preços dos combustíveis, lembrou que, em seu governo, o barril de petróleo chegou a US$ 147, em 2008, mais que a cotação dos últimos dias, mas o litro da gasolina era de R$ 2,60, enquanto hoje, em alguns lugares, chega a R$ 8, o que acontece pelo fato de, desde 2017, os reajustes se dão com base na chama Política de Paridade de Importação, que incorpora a variação do mercado internacional.

Lula contou que na semana passada discutiu a pauta com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), no Rio de Janeiro. Ele defende que a sociedade brasileira tenha esclarecimentos sobre o que de fato, aconteceu com a estatal, desde o impeachment que tirou a ex-presidenta Dilma Rousseff do poder.

O ex-presidente criticou a falta de reação da sociedade à destruição que acontece no Brasil. “Pelo jeito que o povo está abandonado, era de se esperar que o povo estivesse com mais disposição de luta. Isso não acontece. A gente não está conseguindo fazer a mobilização que a gente acha que tem que fazer. A gente não está fazendo com relação à Petrobras, em defesa dos gasodutos, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, não vai fazer contra a venda da Eletrobras”.