06 de abril de 2022

A máquina de fake news bolsonarista está azeitada nos últimos dias. A mais nova onda de ataques trata de um vídeo que mostra uma abordagem policial a homens em frente a um ônibus. Nessa terça-feira (5), em suas redes sociais, o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, contumaz disseminador de mentiras, afirmou que o grupo de pessoas que aparece nas imagens teria sido incentivado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a realizar saques em supermercados e preso a caminho de Fortaleza (CE).  A mentira foi compartilhada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro e segue no ar.

Agências de checagem, como a Lupa, já confirmaram se tratar de uma abordagem policial a torcedores que estavam indo ao jogo da final da Copa do Nordeste, no domingo (3). Ao contrário de Bolsonaro, que inflama seus seguidores a cometerem atos violentos e antidemocráticos, Lula nunca convocou cidadão algum para o cometimento de crimes.

O conteúdo circulou em grupos ligados ao presidente da República no Whatsapp e no Telegram. Até o momento, apenas na conta de Gracie, o post teve 3.424 curtidas e 793 retuítes. A partir da página de Eduardo Bolsonaro, são 1254 retuítes e 3574 curtidas. O vídeo já alcançou mais de 57,3 mil visualizações. Ambos ignoraram alertas de seguidores quanto ao verdadeiro contexto das imagens e seguem sustentando a mentira.

Inimigo da verdade

O lutador Renzo Gracie é, há tempos, um dos maiores disseminadores de fake news nas redes. Às vésperas do último 7 de setembro, quando o país estava sob ameaças golpistas, ele alimentou a farsa de que os ministros do STF estavam fugindo do país.

Em uma publicação no Twitter, Renzo exaltou o nazismo ao postar a frase “My honor is my loyalty”, que quer dizer “Minha honra é minha lealdade”, um lema nazista atribuído a Heinrich Himmler, um dos principais responsáveis pelo Holocausto. Curioso que o ex-secretário de Cultura Roberto Alvim, demitido por apologia ao nazismo, lançou recentemente biografia sobre o lutador.

Em outro ataque sem fundamento, Renzo tenta associar à Lula e ao PT um vídeo em que uma mãe supostamente impede a fuga da filha de 12 anos com um homem mais velho de Alagoas para São Paulo. Nada há no vídeo nada que ligue o homem ao partido ou ao ex-presidente.

Até o momento as publicações seguem no ar nas redes sociais do lutador. A inércia das plataformas apenas incentiva esse tipo de comportamento criminoso. Apenas no Twitter, Renzo tem mais de 238, 4 mil seguidores. Suas publicações são curtidas e compartilhadas milhares de vezes. É preciso uma ofensiva maior das plataformas contra disseminadores frequentes de desinformação. Nem mesmo os acordos firmados entre instituições e plataformas de redes sociais intimidam a milícia digital. Os números de ataques bolsonaristas às urnas eletrônicas, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) aumentaram 440% em sete meses.