18 de março de 2022

Gripezinha, kit covid, antivacina, desdém com medidas sanitárias e restritivas. O discurso e o comportamento negacionista do presidente Jair Bolsonaro foram responsáveis por aumentar consideravelmentea taxa de mortalidade por covid em cidades que o elegeram. O risco de morte em decorrência do coronavírus foi 44% maior em centros bolsonaristas. É o que diz pesquisa publicada na revista internacional Lancet para as Américas e realizada por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fiocruz.

Em algumas das 5.570 cidades analisadas, a população foi orientada por prefeitos alinhados à Bolsonaro a adotarem o chamado “tratamento precoce”, medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid. O presidente, em suas lives semanais ou na patética cena em que oferece cloroquina a emas no Palácio da Alvorada, incitou a população a buscar pelo kit covid, mesmo após a comprovação de sua inutilidade.

Entre municípios de porte médio, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto, aqueles que são bolsonaristas têm quase o dobro da taxa de mortalidade dos demais.

No Nordeste, região que nas eleições de 2018 teve mais votos para o candidato petista Fernando Haddad, a taxa de mortalidade foi muito inferior quando comparada à taxa dos municípios bolsonaristas da região Sul e Sudeste.

Crato, no Ceará, e Sapiranga, no Rio Grande do Sul, são ambas cidades de grande porte, com IDH médio. Crato registrou 110 mortes a cada 100 mil habitantes, enquanto Sapiranga, com maioria de pessoas de eleitores de Bolsonaro e que foram enganadas pelas mentiras criminosas do presidente, teve 360 mortes a cada 100 mil habitanes. Mais do que o triplo.

Bolsonaro incitou comportamento de risco da população

O estudo comparou cidades que possuem estruturas sanitárias e Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhantes e concluiu que, na primeira onda da covid-19 no país, as vulnerabilidades relacionadas às desigualdades de renda e infraestrutura de saúde foram as que mais moldaram a dinâmica de mortes. A segunda onda, no entanto, foi explicitamente moldada pela escolha partidária dos municípios. É preciso lembrar que, nesse período, as falas negacionistas do presidente se intensificaram.

Em meio ao pico dos casos, Bolsonaro minimizou mais uma vez a pandemia e afirmou que o risco de uma segunda onda se tratava de “conversinha”. Com quase 163 mil mortes, em novembro de 2020, o presidente machão disse que o Brasil tinha que deixar de ser um país de “maricas” e, em dezembro, voltou a se posicionar contra a vacinação obrigatória. Ele ironizou o imunizante da Pfizer, ao dizer que a farmacêutica não se responsabilizaria caso a vacina transformasse o imunizado em um jacaré.

De acordo com o artigo, as falas e ações do presidente impulsionaram o comportamento de risco de pessoas alinhadas ao seu pensamento, expondo-os ao COVID-19 e resultando em uma maior taxa de mortalidade. Isso mostra o quanto é grave a cadeira da presidência da República ser ocupada por um homem que não se responsabiliza por suas atitudes e não se importa com as consequências que suas ações podem ter na vida dos cidadãos do seu país.  

Segundo um dos pesquisadores, Christovam Barcellos, nas cidades identificadas com maior número de mortes e aliadas à necropolítica do governo federal há uma espécie de monopólio da comunicação por políticos locais, que bombardeiam a população com fake news que, entre outros pontos, colocam em dúvida o conhecimento científico.

É preciso por fim ao desgoverno genocida

Milhares das 656 mil mortes de brasileiros poderiam ter sido evitadas se Bolsonaro, no lugar de desinformar a população, tivesse liderado as ações de combate à covid, reforçado a necessidade de isolamento social, de testagem em massa e acelerado a aquisição de vacinas.

Como afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento no 7 de setembro de 2020, teria sido possível, sim, evitar tantas mortes.

“Estamos entregues a um governo que não dá valor à vida e banaliza a morte. Um governo insensível, irresponsável e incompetente, que desrespeitou as normas da Organização Mundial de Saúde e converteu o Coronavírus em uma arma de destruição em massa”.

As mentiras de Bolsonaro matam e para reconstruirmos o Brasil pós pandemia, é preciso por fim ao governo genocida.