28 de setembro de 2021

Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu seu primeiro mandato, em 2003, ele deixou nítido, logo nos primeiros dias de governo, qual era seu objetivo principal: combater a miséria no país, promover a inclusão social e garantir que todos os brasileiros fizessem três refeições por dia. Por meio de políticas públicas revolucionárias de transferência e distribuição de renda, como o Bolsa Família e o Brasil Sem Miséria, os governos petistas retiraram 36 milhões de pessoas da miséria. Em 2014 o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU pela primeira vez na história.

Apenas entre 2003 e 2010, 32 milhões de brasileiros saíram da pobreza e entraram na classe média. No ano de 2008, pela primeira vez, a maior parte da população pertencia à classe C, graças à diminuição das classes D e E. O aumento no emprego, no salário mínimo e a oferta de crédito foram fundamentais para que a economia entrasse em um ciclo de expansão e impulsionasse a renda das famílias.

Entre 2002 e 2015, o rendimento cresceu para todos as classes sociais: a renda dos 20% mais ricos aumentou 23% nesse período, enquanto a dos 20% mais pobres superou os 80% de incremento. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social no país, atingiu o mais baixo índice da história em 2015, quando chegou a 0,49. Quanto mais baixo o índice, menos desigual é o país.

Em 2002, 44% da população pertencia à classe C — composta por pessoas com renda familiar mensal de 2,5 a 11 salários mínimos. Oito anos depois, ela correspondia a 52% dos brasileiros, enquanto a classe E encolhia de 30,5% para 18,5%. No topo da pirâmide, as classes A e B passariam de 13% para 15,5%.

O cenário de inclusão social e combate à miséria mudou radicalmente a partir do golpe de 2016. Entre 2016 e 2017, 1,5 milhão de pessoas voltaram à Classe E, a camada mais pobre da população. Desde então, o cenário só piora.

Em 2014, ano da reeleição de Dilma Rousseff, levantamento do IBGE mostrou que havia 16,2 milhões de pessoas vivendo na miséria. Em 2021, são impressionantes 27 milhões na pobreza extrema. Em pouco mais de 6 anos, mais de 10 milhões de brasileiros voltaram a ser miseráveis.

A gestão desastrosa do governo Bolsonaro e a pandemia agravaram ainda mais a situação. Reportagem a Uol traz relatos da fome e da miséria ao redor do Brasil: em São Paulo, famílias comem alimentos estragados jogados fora por supermercados, mesmo passando mal depois. Em Cuiabá, mulher anda 4 km para buscar ossos em açougue. Em Manaus, moradores catam restos do comércio. Em Santa Catarina, famílias buscam alimentos em lixões de arranha céus.

Enquanto isso, Bolsonaro elimina 2,3 milhões de famílias do Bolsa Família. Além disso com a interrupção do pagamento do auxilio emergencial, em dezembro de 2020, a taxa de pobreza extrema no Brasil deu um salto. Em janeiro deste ano, 12,8% dos brasileiros passaram a viver com menos de R$ 246 por mês (R$ 8,20 por dia), linha de pobreza extrema calculada pela FGV social com base nos dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads) Contínua e Covid-19.

No total, segundo projeção da FGV Social, quase 27 milhões de pessoas estavam nessa condição no começo deste ano. Os aumentos constantes no preço de alimentos, gás de cozinha, combustíveis e na conta de luz, derivados da alta taxa de inflação, certamente contribuíram para que essa situação piorasse durante o ano.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação da cesta de compras para famílias com renda de até cinco salários mínimos, fechou agosto com alta de 0.87%. A prévia da inflação de preços no Brasil saltou 1,14% em setembro, maior variação para o mês desde 1994.

Alimentos como arroz tiveram alta de 46,21% no acumulado de 12 meses de junho, as carnes de boi também tiveram um aumento médio de 40%. Os resultados são terríveis. Cerca de 41% da população brasileira – 84,9 milhões de pessoas – convivem com a fome ou algum grau de insegurança alimentar, segundo o IBGE.

A isso soma-se a ineficiência do governo em garantir os meios para que a população possa sobreviver com dignidade na maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Desde  que assumiu, Bolsonaro não concede ganho real nos reajustes do salário mínimo, fazendo com que a inflação devore o poder de compra da população. Para o próximo ano, o mínimo deve passar de R$ 1100 para R$ 1147, corrigido apenas pela inflação.

Brasileiros voltam a viver na corda bamba. Muitos estão recorrendo carcaças de animais, ossos e gordura de boi, além de pés de frango e fragmentos de arroz para conseguir garantir ao menos uma refeição por dia.

Mesmo diante dessa situação deplorável, a equipe econômica do governo segue negando a crise. O ministro Paulo Guedes declarou novamente que a economia está decolando e chegou a sugerir que os mais pobres se alimentassem com restos de comida. Enquanto isso, o que mais importa para eles está garantido: o leite condensado do presidente e sua picanha a R$ 1800 o quilo.