17 de setembro de 2018
Foto:Ricardo Stuckert

“Às vezes, a gente empresta 1 bilhão para o grande empresário e ele diz que não é suficiente, mas, se a gente empresta 15 mil para o pequeno produtor, ele investe e muda sua vida”. As palavras de Lula resumem o que significou para milhares de famílias de Santa Catarina ter acesso a crédito, por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), para poder investir em sua terra e ser parte de uma cooperativa.

Visitada pelo ex-presidente em sua passagem pela cidade São Miguel do Oeste (SC), em Santa Catarina, pelo projeto Lula Pelo Brasil, em março passado, a Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste (Cooperoeste) é uma das mais importantes indústrias de leite no estado, com uma produção de mais de 100 milhões de litros ao ano. Ela surgiu em 1995, fruto da reforma agrária e da criação de assentamentos no oeste de Santa Catarina, mas só se desenvolveu graças às políticas de incentivo ao agricultor familiar promovidas pelos governos petistas.

Os empréstimos viabilizados pelos governos petistas foram fundamentais não apenas para a Cooperoeste, mas também para os cooperados e para os agricultores familiares da região, que aumentaram a sua produção e, assim, conseguiram se manter no campo.

Antes de Lula e Dilma, a maioria da população não tinha acesso ao Pronaf. Após uma simplificação do programa, o Pronaf chegou ao Brasil inteiro, disponibilizando mais crédito, a juros menores, e aumentando a renda rural.

O agricultor Antonio José Orso, de 59 anos, é um dos que se beneficiaram com a simplificação do acesso ao crédito. “Na nossa propriedade, investimos na produção de leite, onde a gente construiu a sala de ordenha, todo o benefício que temos para o trabalho com o armazenamento da silagem, fomos beneficiados com o financiamento de irrigação em dois hectares de terra, e também a parte de máquinas”, relata ele, que produz leite, peixes e limões em uma pequena propriedade, com ajuda da esposa, da filha e do genro. Ele possui 32 animais na ordenha, produzindo quase 600 litros por dia.

“A gente financiou um tratorzinho e também teve acesso a habitação rural, conseguimos melhorar a casa e trabalhamos com os programas do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), que o governo tinha na época”, acrescentou o agricultor.

O Pronaf, junto de outras formas de crédito rural, foi um dos pilares da visão de Lula em reconhecer a importância social e econômica da agricultura familiar e das comunidades rurais para a segurança alimentar e o desenvolvimento do país.

Orso e muitos dos seus companheiros de cooperativa são alguns dos muitos beneficiados em Santa Catarina, enriquecendo a economia solidária. No ano agrícola 2014-2015, por exemplo, foram firmados 118,5 mil contratos no estado, no valor de R$ 2,7 bilhões, pelo Pronaf. No Programa de Aquisição de Alimentos, em 2012, auge do programa no estado, 11,4 mil agricultores forneceram 24,7 mil toneladas de alimentos para 1,3 mil entidades no estado. Outro programa fundamental para quem vive no campo em áreas mais isoladas é o Luz Para Todos. Em Santa Catarina, foram 41,8 mil ligações em todo o estado, com investimento total de R$ 144,4 milhões.

“Quando vejo uma cooperativa dessas, dá para acreditar que é possível criar outras cooperativas. Aprendi que cooperativa para ser forte tem que nascer de baixo para cima. O que eu puder fazer para ajudar, nós vamos fazer. Nós vamos fazer uma melhoria nas coisas para ajudar os produtores familiares, porque vocês representam 70% do que a gente come”, finalizou Lula.