27 de abril de 2022

O óleo de soja, item essencial na cozinha do brasileiro, foi um dos produtos que mais encareceram nos últimos anos com a inflação desenfreada, fruto da política econômica desastrosa de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Só esse ano, o aumento foi de 6,09%. A inflação acumulada do produto, nos últimos 12 meses, chega a 16,44%.

O aumento acompanha mais um recorde: a inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) acelerou para 1,73% em abril. É a maior variação para o mês em 27 anos.

Desde que Bolsonaro assumiu a presidência, em 2019, o preço médio do óleo de soja passou de R$ 3,48 para R$ 8,82, alta de 153%, segundo dados do Dieese. No mesmo período, a inflação da cesta básica chegou a 48,3%.

Há dois anos, com R$ 100 dava para comprar 25 garrafas de óleo; em 2021, 13 garrafas. Hoje, os mesmo R$ 100 compram apenas 13 unidades de óleo de soja. A garrafa de 900ml, que custava em média R$ 4, hoje custa R$ 9,40. Mas porque o consumidor brasileiro enfrenta os seguidos reajustes do óleo se o país é um dos maiores produtores de soja do mundo?

Muitos motivos, mas todos eles passam por uma política econômica equivocada.

Pode-se apontar a guerra entre Rússia e Ucrânia como um dos motivos, mas o conflito não é um fator isolado. Os dois países estão entre os maiores exportadores de óleo de girassol do mundo. Com o conflito, a baixa oferta do óleo de girassol pressiona a produção da soja e outros grãos e aumenta a procura pelo óleo. A alta da demanda e a escassez na oferta elevou o preço do produto no mercado mundial e o Brasil foi favorecido.

O problema é que o modelo do agronegócio brasileiro favorece a exportação e deixa o mercado interno desabastecido. Ou seja, a maior parte de produtos como o óleo de soja, a carne bovina ou o açúcar, é vendida para outros países, o que gera a falta desses itens no Brasil e faz com que o preço para o consumidor interno aumente.

Essa política prejudica principalmente os mais pobres, que perdem o acesso aos alimentos mais básicos.

Uma das políticas públicas que poderia frear esse movimento foi abandonada pelo governo de Jair Bolsonaro. Ele zerou os estoques reguladores de alimentos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que consistia na manutenção de quantidades de alimentos pelo governo para travar o aumento nos preços.

O estoque também é uma maneira de o Estado proteger agricultores e consumidores dos riscos inerentes da atividade agrícola, como chuvas, seca e etc.

Quando a safra estava abundante, o governo comprava e estocava o excedente de produção. Os estoques, além de serem utilizados para doações de alimentos em situações emergenciais, eram uma potente ferramenta contra a inflação: quando a quantidade de determinado alimento estava muito baixa no mercado, o governo usava os estoques públicos para injetar mais daquela comida. Quanto mais produto no mercado, menor o preço do produto.

Bolsonaro fez o contrário. Em setembro do ano passado, quando houve o embargo chinês à carne bovina brasileira, não houve qualquer intervenção do governo federal e o preço do produto no varejo não caiu, pois o produtor guardou a carne para quando a sanção acabasse. Bolsonaro e Guedes assistiram, de camarote, o preço da carne alcançar patamar jamais visto e filas do osso se formarem nas portas de açougues e frigoríficos.

O mesmo ele faz hoje em relação ao óleo de soja e outras commodities nacionais. A previsão é de que a produção de soja do Brasil em 2021/2022 deve alcançar um recorde de 144,7 milhões de toneladas. Mas safra alta, com Bolsonaro, não garante que o produto chegue à mesa do consumidor. O governo deveria estar pensando em uma solução para aproveitar a demanda externa sem desabastecer o país. A realidade, no entanto, é que as redes de supermercados estão sendo obrigadas a limitar a quantidade de garrafas de óleo de soja por cliente para garantir a disponibilidade do produto para todos.