27 de outubro de 2018

A esperança se renova na véspera da eleição. Preparando-se para depositar na urna seu sonho para o Brasil, milhões de eleitores e eleitoras renovam também suas esperanças ao lembrar que, um dia, um homem se indignou com a violência, o descaso do governo e o sofrimento dos mais pobres.

Hoje, 27 de outubro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva completa 73 anos de vida. Uma trajetória exemplar de quem tem a coragem que a vida exige da gente e que não se dobra diante da injustiça. Hoje é o dia do registro do seu nascimento perante a lei, seu aniversário oficial de nascimento foi no dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno.

Em 50 anos de vida pública, esse homem nunca vacilou sobre o lado em que escolheu lutar. Ele sempre esteve ao lado dos esquecidos pelos poderosos: da mãe que não dorme pensando no que dar de comer aos filhos; das crianças, que têm de estar na escola, saudáveis e bem alimentadas; do pai que dá o seu máximo para garantir o sustento da família; do trabalhador que tem seus direitos ameaçados pelos patrões; do jovem que encontra as portas fechadas quando persegue seus sonhos; dos que precisam amordaçar seus sentimentos com medo da violência.

Mais do que uma escolha, essa foi sempre uma certeza para o menino que nasceu em Garanhuns, superou a fome, a sede e as dificuldades. Para o metalúrgico que enfrentou o regime militar. Para o primeiro presidente com a alma do povo e a cara da gente.

O sonho de abrir caminhos para aqueles com quem resolveu caminhar se realizou quando, num evento histórico, Lula subiu a rampa e se tornou o 35º presidente do Brasil.

Entre 2003 e 2010, Lula dedicou-se a destruir a vida que o povo até então conhecia: a vida de fome, de miséria, de ausência de direitos, de invisibilidade, de seca. Sua obsessão era que todo brasileiro e toda brasileira pudesse tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias. Seu sonho tornou-se realidade.

Não que tenha sido fácil, porque o futuro pertence àqueles que lutam. Foram três eleições perdidas, três vezes em que até pensou em parar. “Nada disso”, dizia a eterna companheira Marisa Letícia. “Pode se preparar que na outra você vai outra vez, até ganhar”.

Assim foram, até vencer. E, uma vez lá, Lula só lutou cada vez mais. Lutou contra os preconceitos das elites, que não podiam admitir um nordestino que tira férias de avião, a empregada doméstica que pode usar o mesmo perfume da patroa, o filho do pedreiro que chega à universidade e se torna médico. Ser honesto e cuidar da família, para ele, não é virtude, é uma obrigação.

Desse ódio alimentado pelas elites veio o acirramento de uma perseguição política desleal até que aconteceu o impensado: sem uma prova sequer, em um processo que causa vergonha perante a Justiça internacional por ser marcado por vícios e irregularidades, Lula foi excluído da corrida eleitoral. Há 200 dias é mantido como preso político no prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Lula nunca deixou de se indignar e nunca se apequenou diante da injustiça. Até hoje recusa-se a trocar sua dignidade e sua honra por sua liberdade. Cumpriu o mandato de prisão irregularmente expedido e aguarda, ainda, que os Tribunais Superiores se posicionem do lado da verdade e reconheçam os erros de seu processo.

Toda a decência e o devido processo legal foram atropelados para conseguir tirar de Lula a possibilidade de participar das eleições. Eles conhecem sua força, sabem de sua determinação e sabem que, ao lado dele, caminha todo um Brasil que aprendeu que a vida pode, sim, ser melhor.

Ao prenderem Lula, esqueceram-se de que ele segue caminhando nas pernas dos que estão do lado da democracia e do amor. Assim como aconteceu com vários  grandes líderes da história, Lula é perseguido e isolado, mas suas ideias permanecem livres.

O momento que o Brasil hoje atravessa é de extrema gravidade. O fascismo que ameaçava bater à porta encontrou uma fresta e, sem o menor pudor ou respeito, promete eliminar os que dele discordam, os que lutam por salário, comida, educação e saúde, os que são diferentes, os que ousam sonhar. Não podem nos ameaçar. Não seremos reféns da ira deles. Já que ameaçam nossas existências, seremos cada vez mais firme resistência.

Lula sabe disso e, para essa batalha histórica de inegável importância, escalou seu melhor homem para representá-lo. É em Fernando Haddad que Lula coloca a sua esperança, pois sabe que é o único capaz de trazer de volta à realidade tudo o que sempre sonhou e realizou como presidente.

À véspera da eleição, é essencial lembrar que, sempre que houver dúvida ou receio, pulsa neste país o coração de um cidadão que nasceu em Garanhuns, comeu pão pela primeira vez aos 7 anos e aprendeu a andar de cabeça erguida. Vamos todos andar de cabeça erguida e, como ele, jamais desistir. Só unidos em torno dessa ideia e munidos dessa força podemos trazer de volta a democracia desse país.

Neste domingo (28), estaremos munidos do mais valioso poder que tem um cidadão. Façamos o que Dona Marisa pediu e tenhamos coragem. Sejamos milhões de Lula diante das urnas. Ao ódio e ao retrocesso, nossa resposta será a democracia. Inspirados na honra e na valentia de Luiz Inácio, vamos eleger Fernando Haddad presidente do Brasil.