28 de abril de 2022

Todo dia um dado novo comprova que viver no Brasil está mais difícil, com perda do poder de compra do trabalhador, desemprego e inflação que não para de crescer. Sem ação do governo para atenuar o impacto no bolso dos brasileiros, os combustíveis são os vilões desse momento e o gás de cozinha, essencial na casa de todas as famílias, tem se transformado em item raro, consumindo muito da renda do trabalhador.

Reportagem da Folha de São Paulo registra que, com preço médio de R$ 113,48 por um botijão de 13 quilos, segundo a Agência nacional de Petróleo (ANP), o insumo básico para a cozinha representa quase 10% do salário mínimo e atinge a maior média real do século 21. Em algumas regiões, com preços acima da média – há localidades em que o botijão chega a R$ 160, o percentual supera em muito os 10% do salário mínimo.

Com o gás de cozinha a preços proibitivos e sem fogão a lenha, muitas famílias se arriscam usando lenha para cozinhar em locais improvisados.

Dados do IPCA-15 de abril, prévia mensal da inflação, mostram que os combustíveis tiveram maior peso na alta recorde da inflação do mês (1,73%), a maior para abril desde 1995 e a maior variação mensal do índice desde fevereiro de 2003.

No grupo habitação, o GLP, sigla para Gás Liquefeito de Petróleo, nome técnico do gás de cozinha, o maior impacto, de 0,11 ponto percentual no 1,73% verificado no período, veio do gás de cozinha.

O descontrole nos preços do gás de cozinha, assim como dos demais combustíveis, tem sido preocupação constante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista no dia 19 de abril, ele defendeu que o gás seja considerado item da cesta básica. “Durante todo o período que governamos o Brasil, nós não aumentamos o gás na Petrobras. O gás tem que ser considerado um bem da cesta básica. É isso que nós temos que fazer”.