04 de abril de 2022

Tanto a Polícia Federal quanto o Judiciário já reconheceram a existência de uma milícia digital que, de dentro do Palácio do Planalto, produz e espalha desinformação e mentira. Agora, também o Ministério Público Eleitoral admitiu o uso de “táticas repulsivas” empregadas por políticos ligados a Bolsonaro contra adversários.

Na última semana, a Procuradoria-Geral Eleitoral enquadrou uma publicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como fake news. O procurador Paulo Gonet, no entanto, se posicionou contra a imposição de punição eleitoral ao parlamentar.

Flávio Bolsonaro publicou vídeo, obviamente editado, afirmando que Lula teria pacto com o demônio. A montagem quer enganar e passar a impressão de que Lula diz que estava “falando com o demônio” e que o “demônio estava tomando conta” dele. No vídeo original, Lula estava justamente denunciando a rede suja de mentiras bolsonaristas que inventa que o ex-presidente teria relações com o diabo. A publicação foi compartilhada por outros políticos bolsonaristas, como um certo vereador Rômulo Quintino (PSC). 

Ao se manifestar na representação do PT, que cobrava punição ao senador por propaganda eleitoral negativa, o procurador concordou que as imagens foram distorcidas para tentar manchar a reputação de Lula, ou seja, admitiu que o post é mentiroso e manipulado, porém, deu parecer contra a ação por entender que a publicação não teve o objetivo de ferir a integridade do processo eleitoral. A relatora do caso, ministra Maria Cláudia Bucchianeri, ainda vai se manifestar sobre o arquivamento ou não da representação.

O entendimento de que não houve objetivo eleitoral na fake news foi criticado na imprensa. O jornalista Reinaldo Azevedo afirmou que a decisão do procurador foi equivocada e insustentável. “Dizer que um óbvio pré-candidato conversa com o demônio, vindo isso de um político cujo pai disputa a eleição e está na presidência, obviamente é uma campanha antecipada negativa. Lastimável a sua decisão”, disse.

Ao reconhecer que o parlamentar disseminou grave conteúdo manipulado, com condão de enganar seguidores e causar danos a imagem de terceiros, mas isentá-lo de punição, passa-se a impressão de que algumas fake news são permitidas.

Apesar de esse movimento ser um grande passo, é preciso maior rigor no combate a esse tipo de ação, inclusive por parte das redes sociais. Cabe às plataformas não apenas retirar os conteúdos do ar, mas pensar formas de prevenir a disseminação, conscientizar os perfis, identificar e punir os grandes propagadores de mentiras.

Ao Judiciário cabe a aplicação de sanções. O vídeo foi retirado do ar, mas antes disso, os parlamentares inflamaram seus seguidores a espalhá-lo, especialmente entre líderes religiosos. Ou seja, independentemente de haver ou não conexão eleitoral (o que obviamente há), a desinformação foi disseminada e causou, sem dúvida, prejuízo à imagem de Lula.

Bolsonaro mente oficialmente 7 vezes por dia. A estratégia deles é nos afogar em mentiras. Não deixe 2018 se repetir: acesse www.lula.com.br/verdadenarede, acesse vacinas e faça denúncias. Entre em nossos grupos de Whatsapp e seja um agente da verdade.