Lula defende plano de dez anos para transformar o Brasil com foco em educação

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (2.8), durante convenção partidária, que o Brasil precisa abandonar a lógica de investimentos pontuais e assumir um compromisso de longo prazo com a educação. Ao defender a implementação das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), Lula disse que será necessário garantir recursos permanentes para cumprir os objetivos definidos para a próxima década. 

“Nós vamos ter que aprovar uma coisa especial para garantir que em dez anos a gente resolva o problema da educação nesse país, porque sem educação a gente não chegará aonde nós temos o direito de chegar”, afirmou.

Segundo o presidente, a educação deve deixar de ser tratada como uma política sujeita às oscilações do orçamento e passar a integrar um projeto permanente de desenvolvimento nacional. 

“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação nesse país”, declarou. Lula também defendeu que o país estabeleça prioridades capazes de atravessar governos. 

“O Plano Nacional de Educação propõe metas para os próximos dez anos. Isso significa que a gente não pode ficar chorando atrás da miséria que sobra do orçamento”

Luiz Inácio Lula da Silva

“O Plano Nacional de Educação propõe metas para os próximos dez anos. Isso significa que a gente não pode ficar chorando atrás da miséria que sobra do orçamento”, disse.

Como exemplo de política pública voltada à permanência dos estudantes na escola, Lula destacou o Pé-de-Meia. Segundo ele, o programa já beneficiou 7,2 milhões de estudantes em todo o país ao oferecer incentivo financeiro para que jovens concluam o ensino médio.

“O que fizemos foi garantir que as meninas e os meninos não desistissem da escola para ajudar no orçamento da família. Muita gente dizia que era gasto. Eu disse: educação não é gasto, educação é investimento”, afirmou.

Para reforçar o argumento, o presidente comparou os custos da educação e do sistema prisional. Segundo Lula, um estudante de um Instituto Federal custa cerca de R$ 16 mil por ano ao poder público, enquanto um preso no sistema prisional comum custa aproximadamente R$ 35 mil anuais. Em presídios de segurança máxima, acrescentou, esse valor pode chegar a R$ 40 mil por mês. “É mais barato investir em educação do que gastar com prisão. E quem pode ir para a prisão é esse jovem se a gente não der oportunidade”, disse.

Lula também associou a política educacional ao desenvolvimento tecnológico e industrial. Para ele, o Brasil precisa ampliar a formação de profissionais em áreas estratégicas, como matemática, engenharia, inteligência artificial e pesquisa científica. “Temos que formar cientistas. Investir muito mais em matemática, em inteligência artificial”, afirmou. O presidente defendeu ainda que estudantes brasileiros busquem conhecimento no exterior quando necessário, para aplicar esse aprendizado em áreas de interesse nacional.

Ao citar a produção de baterias elétricas, drones e o aproveitamento das chamadas terras raras, Lula argumentou que o país deve investir mais em ciência, tecnologia e qualificação profissional para agregar valor às riquezas nacionais e ampliar sua capacidade de inovação. 

“Por que um país do tamanho do Brasil não pode fazer bateria elétrica? Nós temos que investir em conhecimento científico e tecnológico para sermos donos da nossa capacidade de produzir, transformar e inovar”, afirmou.

Ao encerrar o discurso, o presidente voltou a defender um planejamento de longo prazo para o país. “Nós precisamos definir aquilo que é prioridade para o país, aquilo que nós precisamos entregar. Num projeto de dez, de quinze anos. Porque sem educação, sem ciência e sem tecnologia, o Brasil não chegará onde tem o direito de chegar”, afirmou.

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