Lula defende soberania e histórico diplomático do país

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Em entrevista aos podcasts Meteoro e Três Elementos, nesta quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a revogação do visto da embaixadora do Brasil, Maria Luiza Viotti, nos Estados Unidos. Na conversa, o líder brasileiro reafirmou que o país prioriza o diálogo, as conversas técnicas e o respeito às regras diplomáticas, mas está preparado para enfrentar qualquer ameaça externa que tenha como pano de fundo interferir no processo eleitoral do país. 

“O Brasil não só está preparado, como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral”, afirmou Lula. “Quem manda no nosso país é o povo brasileiro. Quem disputa eleições aqui são os brasileiros, e qualquer um pode disputar”. O presidente lembrou que os Estados Unidos ficaram um ano e meio sem indicar um representante diplomático em nosso país e explicou que o Brasil tomou a decisão recentemente de não recepcionar novos embaixadores durante o período eleitoral, independentemente de nacionalidade. 

“Eu recebi de uma vez só 14 embaixadores no Itamaraty em julho. Eu disse ao ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores): ‘De agora até a eleição, não recebo mais embaixador. Só depois é que vou receber de qualquer país. O que aconteceu? Os Estados Unidos primeiro não deram importância para ter embaixador no Brasil porque faz um ano e meio que ele (Trump) está no poder e não mandou para cá. Aí tentam mandar e acham que a gente tem obrigação de fazer na data que eles querem. Não é correto e não é possível. E nós queremos ser tratados com respeito. Então, tomaram a atitude de caçar o visto da nossa embaixadora”, declarou. 

O Brasil não só está preparado, como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral. Quem manda no nosso país é o povo brasileiro. Quem disputa eleições aqui são os brasileiros, e qualquer um pode disputar”

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula ressaltou o histórico de boas relações entre os dois países, mas reafirmou que não abre mão da defesa da soberania. Explicou que as conversas entre ele e Trump sempre foram positivas, ressaltando que os dois são pessoas com mais de 80 anos e líderes de duas das maiores democracias do planeta. “Ele tomou essa atitude, que eu acho uma atitude impensada, para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática. É desnecessário”, pontuou. “A gente tem que passar sobriedade para quem mora na nossa região e para o mundo, que está precisando de serenidade”, completou.

O presidente brasileiro lembrou que entregou ao mandatário dos Estados Unidos um pedido para que ele liberasse os vistos de 11 autoridades brasileiras, que são ministros da Suprema Corte, a da Advocacia Geral da União, o ministro da Saúde, que estão proibidas de entrar nos Estados Unidos”, comentando decisões do governo estadunidense de negar ou revogar o visto de entrada das autoridades do Brasil no país, que tiveram início em julho de 2025.

“A gente tem que passar sobriedade para quem mora na nossa região e para o mundo, que está precisando de serenidade”

Urnas Eletrônicas – Recentemente, os Estados Unidos, após uma declaração do candidato da extrema direita brasileira questionando as urnas eletrônicas, quis enviar dois nomes ligados ao governo Trump para, supostamente, checar as urnas brasileiras, mas havia informações de que a intenção era colocar em dúvida a qualidade do processo eleitoral do país. “Eu fico sabendo da notícia que vinham dois jovens para cá para se intrometer e fiscalizar as urnas brasileiras. O Itamaraty, corretamente, negou o visto a eles”, disse Lula, que rejeitou interferências estrangeiras no pleito nacional.

“Esse país é muito grande, tem muita história, muita responsabilidade e não dá para ninguém imaginar que vai derrotar o Brasil com mentira. Não dá para ninguém pensar que vai se intrometer de fora aqui”, reiterou. O presidente voltou a dizer que, se as urnas realmente permitissem fraude, se fossem manipuláveis, ele nunca teria sido eleito. “A urna é tão importante que, se pudesse roubar, eu não teria sido presidente”, resumiu.

A primeira eleição para o Executivo Federal com o uso de urna eletrônica foi em 1998. De lá até a votação que se aproxima, Lula foi eleito em 2002 e 2006, a presidente Dilma em 2010 e 2014. “É uma coisa fantástica: termina as eleições 17h, 19h horas você está com o resultado do Brasil inteiro. Aliás, eles deveriam (EUA), em vez de questionar a nossa urna, deveriam pedir para que a gente fosse levar as urnas para eles fazerem uma eleição eletrônica, para eles saberem que nós estamos no auge da modernidade eleitoral”, concluiu.

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