Lula: para governar, tem de olhar o comportamento de uma mãe

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Em uma metáfora sobre a gestão pública e a responsabilidade social do Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 5 de agosto, que o exercício de governar exige sensibilidade semelhante à atenção maternal. Em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Três Elementos, ele afirmou que a justiça social não se pauta apenas em distribuir recursos de forma linear, mas em identificar e acolher com prioridade os que se encontram em situação de maior fragilidade.

“Se você quiser aprender a governar, tem que olhar o comportamento de uma mãe. Uma mãe pode ter 10 filhos. Quando se sentam na mesa para comer, se for bife todo mundo vai ter um bife. Se for ovo, todo mundo vai ter um ovo. Mas se tiver um doentinho, mais fragilizado, é aquele que a mãe vai pegar no colo, dar comidinha na boca, porque precisa mais do que os outros. Governar é isso: você sempre começa por aqueles mais necessitados”.

“Se você quiser aprender a governar, tem que olhar o comportamento de uma mãe. Uma mãe pode ter 10 filhos. Quando se sentam na mesa para comer, se for bife todo mundo vai ter um bife. Se for ovo, todo mundo vai ter um ovo. Mas se tiver um doentinho, mais fragilizado, é aquele que a mãe vai pegar no colo, dar comidinha na boca, porque precisa mais do que os outros. Governar é isso: você sempre começa por aqueles mais necessitados”.

Luiz Inácio Lula da Silva

Segundo ele, o ponto de partida de qualquer política duradoura deve ser a erradicação da fome e o resgate da dignidade da população que historicamente permaneceu à margem do orçamento público. Na atual gestão, o país saiu pela segunda vez do Mapa da Fome e alcançou o menor patamar da história de insegurança alimentar grave, com 0,5%, em um contexto da menor inflação média de uma gestão, do desemprego no nível mais baixo da série histórica (5,4% no trimestre encerrado em junho) e com crescimento médio do PIB próximo dos 3%. 

Ao traçar um diagnóstico e o percurso neste terceiro mandato, Lula destacou a herança de sucateamento de estruturas fundamentais e a desarticulação de ministérios essenciais para a garantia de direitos. O presidente citou como exemplos simbólicos a área ambiental, a habitação e a educação. 

“O Ibama, em 2023, tinha 700 funcionários a menos do que em 2010. Quando deixamos a presidência. Herdamos 87 mil casas paralisadas. Encontramos, entre creches e escolas, quase 6 mil obras paralisadas. Destruir é fácil, você destrói em meia hora um castelo que levou um século para fazer.”

Na atual gestão, o país saiu pela segunda vez do Mapa da Fome e alcançou o menor patamar da história de insegurança alimentar grave, com 0,5%, em um contexto da menor inflação média de uma gestão, do desemprego no nível mais baixo da série histórica (5,4% no trimestre encerrado em junho) e com crescimento médio do PIB próximo dos 3%. 

EDUCAÇÃO – A democratização do ensino superior e o combate à evasão escolar foram apontados pelo presidente como indicadores de que a gestão pública precisa ser movida por sensibilidade e visão de longo prazo, e não pelo desmonte de ativos do Estado. “Em 2003, quando chegamos, havia 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje são 25 milhões e quero chegar a 50 milhões. Agora, por que ninguém fez antes? Todos eles (presidentes anteriores) eram estudados. Quando chegam e encontram dificuldade, em vez de tentar resolver, resolvem vender o patrimônio público.”

PÉ-DE-MEIA – Sobre o combate à evasão no ensino médio, o presidente explicou o raciocínio por trás da criação do Pé-de-Meia, ressaltando a necessidade de impedir que jovens abandonem os estudos para reforçar o orçamento familiar ou acabem aliciados pela criminalidade. “Descobri no final de 2024 que tinha 500 mil jovens em idade de ensino médio desistindo da escola porque tinham que ajudar a família. Eu tinha que tomar uma decisão: ou investimento em cadeia e segurança, ou criar um programa para evitar o abandono. O Pé-de-Meia diminuiu em 62% a evasão no ensino médio e já atendeu mais de 7,2 milhões de estudantes.”

SORRIDENTE – Para além dos indicadores econômicos e obras de infraestrutura, o presidente dedicou parte da reflexão ao impacto direto das políticas públicas na autoestima e na cidadania dos indivíduos mais vulneráveis. Ao falar sobre o Brasil Sorridente, Lula retratou o impacto invisível da privação da saúde bucal na vida social e afetiva das pessoas.

“Quem tem a boca completa não tem noção do sofrimento de uma pessoa sem dentes. Essa pessoa não namora mais, não pode comer carne direito. Eu via as pessoas nos comícios colocando a mão na boca, sem rir. Criei o Brasil Sorridente exatamente por isso. E agora avançamos com mais de 830 vans de consultórios odontológicos adaptados e tecnologia de escaneamento. Isso devolve a alegria, o convívio social e o afeto às pessoas.”

Ao concluir, o presidente enfatizou que o papel do eleitor e do governante deve estar ancorado na consciência do cuidado coletivo. Para Lula, a escolha política precisa responder a perguntas fundamentais sobre quem está disposto a cuidar das famílias, gerar empregos e garantir amparo nos momentos de maior dificuldade.

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