05 de abril de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Em debate na manhã de hoje (5) com o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o modelo de governança mundial da ONU está defasado e precisa ser revisto para melhorar a resposta internacional a problemas como guerras e o combate às mudanças climáticas.

“Continuamos a acreditar, pelo bem da humanidade nesse momento histórico que estamos vivendo, a defender uma outra estrutura de governança mundial. A ONU de 1948 já não serve mais, ela não representa os anseios da humanidade”, disse o ex-presidente, reforçando o discurso que fez no Parlamento Europeu, em novembro passado. Nesta terça, Lula participou do debate “Brasil-Alemanha – União Europeia: desafios progressistas – parcerias estratégicas”, promovido pela Fundação Perseu Abramo (FPA) e pela Fundação Friedrich Ebert (FES), que é presidida por Schulz.

O ex-presidente comentou as dificuldades do processo decisório, que passa pelas instancias globais, mas também precisam ser aprovadas internamente em cada país. “Eu acho que você só vai conseguir implantar as políticas corretas que nós precisamos, se tiver uma governança mundial que tome decisões que, em alguns casos, tenham que ser cumpridas automaticamente, independente da decisão do Congresso. Que o Congresso possa ter um representante nas reuniões, que o presidente possa comparecer com o presidente do Congresso, para validar as decisões, mas não tem sentido você aprovar num encontro da ONU, depois cada um de nós levar para dentro das nossas divergências internas para decidir, não decide nunca”, afirmou.

Para o ex-presidente, a ONU também deveria ter sido mais atuante durante a pandemia de Covid-19, especialmente para garantir a vacinação dos países mais pobres. “Não tem sentido o mundo rico ter 70% das vacinas e a África não ter nem 10%. A ONU deveria ser um órgão que tivesse autoridade moral de fazer com que uma parte da produção fosse distribuída em igualdade de condições para todo ser humano, independente de ser preto, ser branco, ser pobre, ser rico, ser africano, europeu ou latino-americano. Basta que pertencesse à espécie humana para ter direito de tomar uma vacina”, completou Lula.

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