14 de outubro de 2018

Marcelo Leite, colunista da Folha de S.Paulo, em artigo publicado hoje pelo jornal, alerta para os riscos à Amazônia de um eventual governo de Bolsonaro. Já no início do texto, o jornalista afirma que o candidato à presidência pelo PSL “pode levar a processo irreversível de derrubada da floresta amazônica”.

“Nunca imaginei que veria a ditadura militar (1964-1985) cair, nem o muro de Berlim, nem as Torres Gêmeas de Nova York. É fácil imaginar, porém, que um processo irreversível de derrubada da floresta amazônica tenha início com a ascensão de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência”, disse o jornalista especializado em ciência e ambiente.

Além de não apresentar nenhuma proposta para a área de meio ambiente em seu programa de governo, Bolsonaro e sua equipe econômica já deram sinais evidentes da falta de compromisso com a preservação ambiental.

Sobra as propostas do candidato, Marcelo comenta: “Bolsonaro e seu bando deixaram claro qual é o programa antiecológico. Acabar com o Ministério do Meio Ambiente, garrotear Ibama e ICMBio e pô-los sob a pata dos bois num Ministério do Agro é Tudo sob o comando da UDR? Só o começo”.

O jornalista chama a atenção para o imenso retrocesso das propostas de Bolsonaro. “Voltamos 30 anos no tempo, quando se dizia que terras indígenas iriam criar países independentes encravados no solo nacional. Ou que a criação de unidades de conservação levaria à perda de soberania num ‘Território Internacional Anteriormente Conhecido como Amazônia Brasileira’ – o espantalho do ‘corredor ecológico’ de milhões de quilômetros quadrados reconstruído por Bolsonaro”.

Ele lembra ainda que, na semana em que o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima publicou novo relatório alertando governos de que podem restar menos de duas décadas para evitar o pior do aquecimento global, Bolsonaro “reafirma que vai tirar o Brasil do Acordo de Paris”. O jornalista ironiza: “Só falta dizer que o aquecimento global é uma farsa montada pelos chineses (vai ver já disse, e nós não ficamos sabendo porque estamos fora da bolha dos grupos de mensagem que lhe dão suporte)”.

Segundo Marcelo, “toda essa baboseira irresponsável será entendida nos grotões da Amazônia como senha para ligar as motosserras, esticar os correntões, recarregar as armas e sair à caça de posseiros, índios e quilombolas. O infame videogame em que negros e mulheres são atropelados por caminhoneiros não é só brincadeira, revela um sintoma”.

A Amazônia corre riscos sérios e sua preservação deve ser prioridade. “Cerca de 20% da floresta amazônica já foi ao chão, e pesquisas sérias estimam que a derrubada de outro tanto pode enveredá-la num caminho sem volta, numa espiral de ressecamento conhecida como “die-back”. Sem mencionar o recrudescimento dos conflitos sociais e fundiários”, afirma o artigo.

No artigo, Marcelo alerta que “quem não ficar de cabelos em pé com o que vem para frente – ou abaixo – está desinformado, mal-intencionado ou só sabe do que vê em grupos de WhatsApp”.