23 de outubro de 2018

O candidato à presidência Jair Bolsonaro voltou a defender o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em entrevista ao SBT nesta segunda-feira (22/10).

Bolsonaro afirmou que Ustra “prestou um grande serviço ao Brasil. […] Do outro lado estava José Dirceu, Dilma Rousseff. […] Ustra fez parte de um momento da história do Brasil. Ele interrogava as pessoas e buscava desmobilizar grupos terroristas”. Bolsonaro tentou ainda relativizar a tortura,  dizendo que “a esquerda se vitimiza, busca compaixão, voto e poder”.

O torturador Ustra, ex-chefe do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) durante a ditadura militar, foi exaltado por Bolsonaro também durante a votação da admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Questionado sobre a censura à imprensa durante a ditadura, Bolsonaro respondeu que “tinha uma certa censura”. O candidato tentou também justificá-la ao dizer que certas reportagens proibidas eram, na verdade, ordens “para terroristas tomarem uma decisão de uma forma ou de outra”. Inacreditável!

Perguntado pelo jornalista se, caso eleito, vai procurar conversar com Fernando Haddad, Bolsonaro, tratando mais uma vez seu adversário político como seu inimigo, disse que “não dá para conversar com esse tipo de gente”. Também questionado se pretende promover uma conciliação no País, o que incluiria conversar com seus adversários, ele afirmou: “mas, olha só, essas minorias, tem a parte ativista que destoa da grande maioria”.

Em 9 de outubro Bolsonaro já havia falado sobre como pretende acabar com o ativismo: “Vamos colocar um ponto final em todas as formas de ativismo no Brasil”.

Em manifesto, mais de 4 mil entidades repudiaram a declaração, considerando-a muito grave, uma vez que sinaliza a exclusão de uma sociedade civil organizada dos debates públicos e enfraquecendo a democracia.