11 de janeiro de 2022

Uma pesquisa realizada pela Belo Investment Research mostrou que, no segundo semestre de 2021, a busca pela palavra “inflação” na internet cresceu mais de 50%. No Google, houve um aumento de 51%; na mídia, foram 52,2% mais menções e, na Câmara dos Deputados, “inflação” apareceu em 35,5% mais discursos e documentos. Em agosto, as pesquisas relacionadas à alta de preços atingiram o maior nível desde outubro de 2014, segundo dados do Google.

O assunto é impopular e o interesse dos brasileiros por ele reflete o que acontece, hoje, no dia a dia da população: o dragão da inflação está devorando o poder de compra dos brasileiros. O governo Bolsonaro levou o Brasil diretamente de volta aos anos 90 e ensinou aos brasileiros mais jovens o que é lutar contra esse monstro para sobreviver.

Resumidamente, a inflação é o aumento do preço dos produtos, alimentos, combustível, aluguel… sendo assim, ela diminui o nosso poder de compra. Esse aumento de preços não é uniforme, ou seja, alguns itens podem sofrer maior impacto e outros menor impacto. No Brasil, o indicador oficial da inflação é o IPCA – o Índice de Preços para o Consumidor Amplo. Embora existam outros, esse é o mais utilizado em todo o território nacional.

O dragão começou a ser usado como figura representativa do fenômeno entre s décadas de 80 e 90, não se sabe ao certo, quando o Brasil vivia períodos de hiperinflação e os preços dos alimentos, por exemplo, eram reajustados a todo minuto nas próprias prateleiras dos supermercados (quem aí se lembra das maquininhas de re-etiquetação?). A figura foi associada porque a inflação queima o salário e tem potencial destruidor para a economia de um país se estiver descontrolada. Alô, Paulo Guedes? Senhora?

Em dezembro, a inflação chegou a 10,74¨% em 12 meses, segundo dados do IBGE – a maior em 18 anos.  E é por isso que o brasileiro tem procurado saber mais sobre esse vilão já conhecido, porém pouco compreensível para a população em geral. Uma pesquisa da Genial Quaest de novembro passado indicou que a economia é o maior problema do país para  41% dos entrevistados. A título de comparação, a pandemia ficou com apenas 19%.

E as estimativas para o futuro não são promissoras. Em dezembro de 2021, o mercado financeiro passou a prever que a inflação oficial do país ficara acima de 5% em 2022, representando o estouro da meta pelo segundo ano consecutivo.

Bolsonaro e sua equipe pouco fazem para dar conta da situação, mesmo diante das tristes cenas que temos visto diariamente, como de brasileiros revirando lixo para comer, já que o preço dos alimentos foi às alturas. A inflação não gera apenas efeitos imediatos, como o que vemos diariamente, ela gera efeitos secundários extremamente danosos: a impossibilidade de comprar carne no mercado, por exemplo, fez crescer o mercado paralelo e, com isso, a proliferação de doenças como cisticercose e toxoplasmose, entre outras. É uma cadeia de abandono, miséria e desespero que vai muito além e dói muito mais do que um conceito vago buscado na internet.