29 de agosto de 2021

Se você cresceu durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, certamente só conhece os dragões de histórias medievais e nunca ouviu falar daquelas maquininhas de re-etiquetação de preços de supermercado. Mas essa realidade vem mudando numa velocidade assustadora. O governo Bolsonaro mostrou novamente aos brasileiros o que é lutar contra o dragão da inflação para sobreviver.

Resumidamente, a inflação é o aumento do preço dos produtos, alimentos, combustível, aluguel… sendo assim, ela diminui o nosso poder de compra. Esse aumento de preços não é uniforme, ou seja, alguns itens podem sofrer maior impacto e outros menor impacto. No Brasil, o indicador oficial da inflação é o IPCA – o Índice de Preços para o Consumidor Amplo. Embora existam outros, esse é o mais utilizado em todo o território nacional.

Mas por que representar a inflação na figura de um dragão? Porque ela “queima” o poder de compra de população em geral e tem um potencial destruidor para a economia do país se estiver descontrolada. É o que acontece agora no Brasil, o país que registrou a maior elevação inflacionária em pontos percentuais dentro do grupo das 20 maiores economias do planeta.

A estimativa é que a inflação oficial do país – medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – termine o ano em 7,11%, segundo os cálculos de analistas do mercado financeiro divulgados pelo Banco Central. . A inflação de julho, de acordo com dados do IBGE, foi a maior para o mês em 19 anos. O acumulado de 12 meses chegou a 8,99%, puxado pela alta de alimentos, combustíveis e energia. A prévia da inflação de agosto também é a maior desde 2002, e índice chega a 9,3% em 12 meses.

O símbolo do dragão foi criado nos anos 80, quando o Brasil viveu o período de hiperinflação, que durou até o começo dos anos 90. Nessa época, era comum ver a maquininha de re-etiquetação nos mercados – os produtos acumulavam uma etiqueta em cima da outra, já que os preços subiam o tempo todo. Foi também naquele tempo que a população adquiriu o hábito de fazer compra do mês, de estocar produtos que acabavam rapidamente, e de abastecer a despensa acabando no primeiro dia com o salário recebido com medo de que o dinheiro fosse desvalorizado no dia seguinte.

“O arroz tá caro, o feijão tá caro”

E quem mais sente isso tudo é quem ganha menos. Em julho – dado mais recente disponível -, a taxa de crescimento dos preços foi maior para a classe de renda muito baixa (1,12%) em relação à observada para o grupo de renda alta (0,88%).

Em 12 meses, a taxa foi de 10,05% para as famílias mais pobres e de 7,11% para as mais ricas, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda. Ao mesmo tempo, a renda média do trabalho caiu 11% entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021 – na metade mais pobre a queda foi de 21%!

Para as pessoas com renda mais baixa, pesou mais o aumento de alimentos no domicílio, energia elétrica e do gás de botijão: ou seja, itens essenciais para a sobrevivência. No mesmo período, para as famílias de renda alta, pesou mais o reajuste dos combustíveis, das passagens aéreas e dos aparelhos eletroeletrônicos.

Mesmo quando estivermos livres da Covid, reunir a família e os amigos para o famoso churrasquinho ficou praticamente impossível (mas Bolsonaro come picanha a R$ 1700 o quilo). Até o popular “prato feito” foi retirado à força da meda do brasileiro, já que subiu quase o triplo da inflação em 1 ano. Entre as maiores altas, destaque para o aumento do preço do arroz (37,5%) e da carne bovina (32,69%).

Voltamos a viver um passado não tão distante em que parte da imprensa tenta amenizar a situação ensinando como fazer dos ovos a refeição principal, se comer comida com caruncho ou fungo faz mal à saúde e dizendo que o macarrão instantâneo impulsiona venda do setor de massas em 2021. Seria cômico, se não fosse trágico.

Diante desse cenário desolador, o que faz Bolsonaro? Diz que a chave para superar o problema é ter fé. Joga para Deus o que deveria ser problema do governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, apenas finge que a inflação não está descontrolada e afirma que não há problema no aumento da energia elétrica.

Nas redes sociais, já tem muita gente chamando o Lula de volta. Viralizou no TikTok uma dancinha com o som feito pelos MCs Lil e Koban. “O arroz tá caro, o feijão tá caro. Traz de volta o Lula e manda embora o Bolsonaro”.

@thalytahoffmanndecarvalh

Veja a íntegra da música: