28 de julho de 2016

LavaJato: Quando o Custo é Maior que o Benefício

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Para minha amiga Marilena Chauí, a operação Lava Jato não tem como principal objetivo o combate à corrupção, mas a entrega do Pré-sal às seis grandes multinacionais do petróleo.

Talvez ela exagere, mas tem muita razão.

A meu ver, os dois objetivos estão presentes na operação, o primeiro de forma consciente, como legitimação, o segundo, de maneira relativamente inconsciente, como resultado da hegemonia ideológica que o Império ou o Ocidente exerce sobre as classes médias liberal-conservadoras brasileiras.

Mas não tenhamos dúvida. Independentemente dos objetivos visados, o principal resultado da Lava-Jato não será um Brasil menos corrupto, mas tornar o Brasil ainda mais ocupado pelas exportações, os financiamentos, e os investimentos diretos dos países ricos.

O objetivo do Ocidente é a ocupação do mercado interno dos países em desenvolvimento como o Brasil da maneira ainda mais completa do que já é.

O instrumento são suas empresas multinacionais.

Seus investimentos e financiamentos são vistos por nós como um grande “bem”, mas, na verdade, implicam apenas apreciação cambial, aumento do consumo no curto prazo, e um grande custo para os brasileiros no médio prazo – condenados à dependência e ao baixo crescimento.

Para ocupar nosso mercado interno o Ocidente se aproveita da criminosa ação de empresários, lobistas e políticos que enfraqueceu a Petrobrás e as grandes empresas construtoras brasileiras – uma das poucas áreas nas quais o capital nacional ainda é dominante.

Sim, a operação Lava-Jato contribui para o combate à corrupção, mas o faz através do abuso de direito (algo que não estou discutindo nesta nota, mas é bem sabido), e seu custo para o Brasil, no plano político, em termos de violência contra os direitos individuais, e, no plano econômico, em termos de desorganização da produção, redução do PIB e desnacionalização é muito maior do que esse benefício.

 

*Luiz Carlos Bresser-Pereira é Professor emérito da FGV onde ensina economia, teoria política e teoria social. Foi Ministro da Fazenda, da Administração Federal e Reforma do Estado.