Do remédio, passando pelo exame e o tratamento qualificado, as ações de Lula e o futuro do SUS
Em entrevista à Super Rádio Tupi, presidente fala em recuperar a rede federal, reduzir espera por especialistas, ampliar exames e cirurgias e garantir medicamento gratuito pelo SUS
Entre o hospital que existia e um hospital de excelência há uma distância medida em leitos abertos, cirurgias realizadas, exames disponíveis e tempo de espera. Foi dessa distância que Lula falou nesta sexta-feira (18/9), em entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Ao tratar da saúde, o presidente colocou a recuperação dos hospitais federais do estado no centro de uma meta mais ampla que é fazer o paciente do SUS chegar ao tratamento sem se perder pelo caminho.
“Eu tenho dito no Ministério da Saúde que o hospital federal do Rio de Janeiro precisa ser um hospital de excelência”, afirmou. Segundo Lula, a rede encontrada no início do governo tinha leitos e cozinhas fechados e unidades deterioradas. “Hoje, todos os hospitais federais estão funcionando. Nós fizemos parceria com a prefeitura, fizemos parceria com o Hospital Conceição do Rio Grande do Sul (referência nacional de atendimento pelo SUS), e nós estamos fazendo esses hospitais se transformarem em hospitais de excelência.”
Dados do Ministério da Saúde mostram que o plano de reestruturação da rede federal avançou com reformas e novos equipamentos. Nos hospitais do Andaraí e de Bonsucesso, ambos no Rio de Janeiro, as mudanças ampliaram ambulatórios, emergências, centros cirúrgicos, UTIs e serviços especializados. O resultado foi o aumento de 44,4% no número de cirurgias.
AGORA TEM ESPECIALISTAS – A ambição apresentada pelo presidente não termina na porta do hospital. Lula disse que uma de suas principais preocupações é encurtar o caminho entre a primeira consulta, o especialista, o exame e o tratamento. Na entrevista, lembrou a rotina de pacientes que esperavam meses ou até um ano para chegar a um ortopedista, cardiologista ou oftalmologista e, depois da consulta, enfrentavam outra fila para exames.
É justamente essa espera que o Agora Tem Especialistas reduziu, com consultas, exames, cirurgias eletivas, unidades móveis, mutirões e telessaúde. Em agosto, o Ministério da Saúde informou que contratos com instituições privadas e filantrópicas de 21 estados previam mais de 600 mil procedimentos gratuitos para pacientes do SUS.
Em 2025, foram realizadas 15 milhões de cirurgias eletivas, um recorde que será superado em 2026. O número de consultas e teleconsultas chegou a 31 milhões em 2025, aumento de 138% em relação a 2022.
FARMÁCIA POPULAR – Na entrevista, Lula também usou uma cena antiga para explicar uma política que considera essencial, a de quem conseguia chegar ao médico, saía com uma receita, mas não tinha dinheiro para comprar o medicamento. “Colocava a receita dentro de um copo ou embaixo de um travesseiro e morria sem tomar o remédio”, recordou.
A criação em 2004 do Farmácia Popular, no primeiro mandato de Lula, mudou essa realidade. O presidente destacou que no atual governo, ele ampliou para 41, os itens gratuitos no programa. A iniciativa alcançou 27,3 milhões de pessoas em 2025.
Para uma família de quatro pessoas com um idoso, pode representar uma economia de R$ 8.760 por ano. Em 2026, 61% dos usuários do Farmácia Popular são idosos e 63% são mulheres.
A ampliação do acesso a medicamentos aparece também em outra frente. O orçamento previsto para assistência farmacêutica em 2026 é de R$ 27,3 bilhões, com 690 medicamentos e insumos ofertados gratuitamente pelo SUS. Desde 2023, segundo o Ministério da Saúde, 165 novos medicamentos e insumos foram incorporados, entre eles 23 destinados ao tratamento do câncer.
CARRETAS – Para Lula, reduzir a fila significa também inverter a lógica de esperar o paciente chegar ao serviço. “Vamos ter 150 carretas da mulher andando por esse país”. Tratam-se de unidades preparadas para exames de prevenção e diagnóstico do câncer. As unidades oferecem, entre outros serviços, mamografias, biópsias, tomografias, ultrassonografias e atendimento oftalmológico.
O presidente relacionou essa expansão a uma ideia que repetiu ao longo da entrevista. Serviço de saúde de qualidade não deve depender da renda de quem precisa dele. “Eu quero é tratamento qualificado para todo mundo. A pessoa mais humilde do Rio de Janeiro, quando for no hospital, tem que ter um tratamento adequado e respeitoso. Tem que ser tratada com decência”. Para Lula, do remédio ao especialista, do exame à cirurgia, o tratamento deve efetivamente chegar a quem precisa.